terça-feira, 23 de maio de 2017

"Pega Pega": o que esperar da próxima novela das sete?

A estreante Maria Helena Nascimento fez um ótimo trabalho com "Rock Story". A primeira novela da autora teve evidentes deslizes, mas o saldo geral foi extremamente positivo e a trama agradou. Fará falta. Agora, ela passará o bastão para outra colega que está escrevendo seu primeiro folhetim: Claudia Souto. A novata foi colaboradora de Walcyr Carrasco, além de outros autores, e inicia sua nova fase com "Pega Pega", produção que se classifica como uma comédia policial, dirigida por Luiz Henrique Rios, cujo clipe pode ser conferido aqui.


Chamada inicialmente de "Pega Ladrão", a novela teve seu título mudado pela Globo em virtude do atual momento do país. Constatou-se que não seria apropriado um nome assim em meio a tantos casos de corrupção no país. A questão é que o novo nome é horrível. E o anterior (embora também estranho) valeria justamente por causa da atual situação do Brasil. Ou seja, deveriam ter usado para fazer uma interessante analogia ao triste mundo real atual. "Pega Pega" resulta em algo tosco ou boboca. Não é um bom chamariz. Mas, deixando isso de lado, o enredo tem um bom mote central.

A história principal é sobre um roubo milionário ao Carioca Palace, um hotel de luxo em plena decadência. O dono do estabelecimento é o bon vivant Pedrinho Guimarães (Marcos Caruso), que vende o lugar para o empresário Eric (Mateus Solano), sem o consentimento da neta Luíza (Camila Queiroz).

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Ótimo como Gui Santiago em "Rock Story", Vladimir Brichta fazia falta nas novelas

Ele estava afastado das novelas há 12 anos. Seu último trabalho em folhetins havia sido em "Belíssima", trama de Silvio de Abreu exibida em 2005. Depois de dois anos longe da televisão, o ator voltou no dominical "Sob Nova Direção" em uma breve participação e em 2008 protagonizou a série "Faça sua história", vivendo o taxista Valdir. Fez rir ao lado de Débora Bloch no seriado "Separação?!" (2010); esbanjou química com Alinne Moraes na microssérie "Amor em 4 Atos" (2011); divertiu na pele do safado Armane em "Tapas & Beijos" (onde ficou por 4 anos) e em 2016 deu show vivendo o traficante gente boa Celso na primorosa minissérie "Justiça". Agora, finalmente, Vladimir Brichta está de volta ao gênero mais amado pelos brasileiros e brilha em "Rock Story".


O ator é um dos mais talentosos da sua geração, levando ainda em consideração a dificuldade que a Globo (e todas as emissoras têm) em encontrar bons intérpretes considerados 'galãs' na faixa entre 30 e 50 anos, pois há vários canastras que acabam servindo de opção na falta de alguém melhor. Portanto, não é surpresa Vladimir ter sido escalado para protagonizar uma história nesse seu retorno aos folhetins. E é impressionante como Gui combinou bem com ele. Embora seja clichê fazer esse tipo de comentário quando se elogia um bom profissional da área, é nítido que o papel parece escrito sob medida. Difícil imaginar outro no lugar vivendo esse perfil sem soar caricato ou fora do tom.

Gui Santiago é um roqueiro que viveu o auge do sucesso na época em que o rock nacional tinha um alcance gigantesco e depois foi caindo no ostracismo. O cantor foi se envolvendo cada vez mais em brigas e escândalos, incluindo ainda um filho fora do casamento que ele teve com uma fã, ignorando todo o crescimento da criança e pagando apenas pensão.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

"Dancing Brasil" é um bom entretenimento

A estreia da Xuxa na Record foi desastrosa. Após quase 30 anos de Globo, apresentadora migrou para a concorrente em 2015 e recomeçou com o programa "Xuxa Meneghel" em agosto. A atração foi um equívoco e fracassou logo no início, deixando a emissora em terceiro lugar quase sempre. Ela, inclusive, já não fazia mais sucesso na líder, muitas vezes perdendo audiência para, ironicamente, a própria Record. A rainha dos baixinhos não conseguia mesmo voltar ao seu auge e a sua contratação pelo canal dos bispos chegou a ser considerada um erro pelos próprios responsáveis. Mas, ao menos agora, depois de mais de um ano fracassando, a apresentadora ganhou um bom formato: o "Dancing Brasil".


O novo programa nada mais é do que um formato estrangeiro de muito sucesso, exibido pela BBC na Inglaterra e pela ABC nos Estados Unidos: o "Dancing With the Stars". Embora muito parecido com a "Dança dos Famosos", quadro de maior sucesso do "Domingão do Faustão", a produção da Globo é baseada na versão britânica "Stricly Come Dancing". E basta ver a atração da Record para comprovar a diferença nas apresentações. Aliás, também basta assistir ao programa para perceber que Xuxa é uma mera coadjuvante, como já era de se esperar em um reality de dança. Ou seja, a emissora resolveu 'usar' a apresentadora em um produto consagrado internacionalmente ao invés de continuar insistindo com seu fracassado "Xuxa Meneghel". Foi uma boa ideia ao mesmo tempo que comprovou que o canal não sabe o que fazer com a sua contratada --- a peso de ouro, inclusive.

Xuxa conta ainda com o 'auxílio' de Sérgio Marone que divide o comando da atração com ela, tendo a função de entrevistar os concorrentes. A presença dele, por sinal, se mostra um equívoco, pois suas perguntas são sempre irrelevantes e o ator se mostra artificial na posição de entrevistador.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Glória Perez acerta com o corajoso paralelo entre Ivana e Nonato em "A Força do Querer"

A atual novela das nove vem apresentando ótimos índices de audiência, fazendo por merecer esses bons números. A trama de Glória Perez está bem estruturada, com poucos personagens e dramas convidativos. A maior ousadia da autora é o drama de Ivana (Carol Duarte), uma menina que não se identifica com seu corpo e sofre diante da pressão da mãe e da sociedade. Essa situação é um dos principais acertos do folhetim, ganhando novos contornos através de um interessante paralelo criado com um outro personagem que vem crescendo: o Nonato (Silvero Pereira).


A questão do transgênero ser explorada em uma novela é um bom avanço e a escritora está sendo muito corajosa. O método escolhido por ela expõe a sua criatividade, além de servir como uma explicação objetiva, sem parecer didático ou piegas. Isso porque essa dualidade que começou a ser focalizada no enredo tem funcionado para destacar os dois perfis, ao mesmo tempo que expõe as diferenças que os separam, embora enfrentem o mesmo tipo de preconceito. O que o público vê é um homem muito bem resolvido com seu corpo e uma mulher que não se identifica com o seu reflexo no espelho.

Ivana sempre sofreu pressão da mãe, a fútil Joyce (Maria Fernanda Cândido), para que fosse quase um clone seu. Na breve primeira fase da novela, que durou apenas o primeiro bloco do primeiro capítulo, ficou explícita a intenção da perua para com sua filha, transformando a criança em uma cópia mirim de si mesma.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Ana Beatriz Nogueira rouba a cena em "Rock Story"

A atual novela das sete, em plena reta final, segue muito gostosa. Maria Helena Nascimento vem conduzindo sua primeira novela de forma competente e apresentando bons acontecimentos, apesar de alguns deslizes. Dirigida por Maria de Médicis e Dennis Carvalho, "Rock Story" merece os elogios que recebe desde a estreia. E uma das qualidades do folhetim é a escolha do elenco do núcleo principal. São vários bons nomes, mas quem vem roubando a cena mesmo é Ana Beatriz Nogueira.


Na pele da atrapalhada e superprotetora Néia, a atriz virou o grande destaque da novela e com muito mérito. A mãe de Léo Régis (Rafael Vitti) e Yasmin (Marina Moschen) protagoniza as cenas mais engraçadas da trama, sendo o principal alívio cômico do enredo, que, ao contrário dos folhetins anteriores, não tem a comédia como foco. A personagem prometia bons momentos desde a sua primeira aparição, mas cresceu além da conta muito em virtude do talento extraordinário da intérprete.

Néia foi gari no passado e abandonou a profissão depois do sucesso de Leonardo Régis, que lhe deu uma excelente condição financeira. Ela faz de tudo pelos filhos e esse excesso de 'cuidados' muitas vezes resulta em tiradas impagáveis, além de planos 'infalíveis' que sempre dão errado. É um perfil que provoca risos pelas atitudes e não pela caricatura.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Nelson Xavier era um ator dedicado e um profissional respeitado

O ator Nelson Xavier faleceu, aos 75 anos, na madrugada desta quarta-feira (10/05), em Uberlândia, Minas Gerais. Em 2014, durante o Festival de Gramado, ele contou que fez tratamento contra o câncer de próstata em 2004 e que estava livre da doença. Foi lá também que recebeu o prêmio de Melhor Ator com o filme "A Despedida", um de seus últimos trabalhos. A causa de sua morte foi o agravamento de uma doença pulmonar, após ter sido internado na última terça-feira. 


Profissional admirado por todos, Nelson era um ator que se dedicava de corpo e alma aos seus papéis. A maior prova disso é o fato de dois dos seus melhores trabalhos serem interpretando pessoas que realmente existiram. O desafio de viver perfis que fizeram parte da cultura nacional é um risco para qualquer ator e a chance de não convencer é sempre alta. Mas não foi problema para ele. Afinal, como esquecer o icônico Virgulino Ferreira da Silva na minissérie "Lampião e Maria Bonita", exibida na Globo em 1982? 

O Rei do Cangaço foi um divisor de águas na carreira do ator, mesmo já tendo uma longa jornada no cinema (começou em 1959 e fez 55 filmes no total). Na tevê era apenas seu terceiro trabalho. E marcou para sempre. Sua parceria com Tânia Alves (Maria Bonita) foi irretocável, destacando o lado mais 'sereno' de uma figura marcada pela imponência.

terça-feira, 9 de maio de 2017

"Malhação - Viva a Diferença" tem estreia emocionante e envolvente

"A gente cresce com o que é diferente da gente. Se existe uma hora que se aprende que o diferente é ruim, eu não quero aprender isso nunca. O que eu quero é mostrar que a riqueza é a diferença." Essa simples, mas significativa mensagem fez parte do teaser de "Malhação - Viva a Diferença", já deixando clara a  intenção da nova temporada do seriado adolescente, que estreou nesta segunda-feira (08/05), após a exibição de uma prévia na última sexta e cinco vídeos com cerca de cinco minutos na Globo Play sobre os perfis principais.


A história, dirigida por Paulo Silvestrini, marca a estreia do talentoso Cao Hamburger como novelista na produção dramatúrgica mais longeva da Globo. O autor de sucessos infantis como "Disney Club" (1997), "Um Menino Muito Maluquinho" (2006), "Que Monstro te Mordeu?" (2014) e o inesquecível "Castelo Rá-tim-bum" (1994), que marcou toda uma geração, já mostrou sua competência em lidar com as crianças e agora terá o desafio de se comunicar com os adolescentes, embora "Malhação" seja para todos os públicos e tenha um forte apelo infanto-juvenil.

As chamadas da nova temporada foram promissoras e a estreia honrou todas as expectativas, após a convidativa sinopse ter sido divulgada amplamente nas últimas semanas. Pela primeira vez o seriado tem São Paulo como pano de fundo, depois de 24 fases ambientadas no Rio de Janeiro. E outra novidade é a questão envolvendo o protagonismo.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

"A Força do Querer" vem apresentando um ótimo início

A nova novela das nove estreou no dia 3 de abril, ou seja, está há pouco mais de um mês no ar, bem no comecinho. O primeiro capítulo de "A Força do Querer" foi morno e sem grandes acontecimentos. Parecia um capítulo qualquer e não o número um. Isso não foi um mérito nem um defeito, apenas uma opção da autora. E Glória Perez parece ter plena consciência do que está fazendo, pois está inserindo os dramas cuidadosamente, despertando a atenção do público e agradando a Globo ---- a média até então está em torno dos 31 pontos, melhor início desde "Império".


A história é simples e com poucos personagens, o que é uma novidade e tanto levando em consideração o histórico de Glória. Ela sempre foi uma escritora que encheu suas produções de atores, muitas vezes não conseguindo destacar todos, deixando vários deles avulsos em enredos desinteressantes. Sua última novela, por exemplo, sofreu merecidas críticas em virtude do excesso de gente. "Salve Jorge" foi uma produção problemática em vários aspectos, tendo a quantidade exagerada de intérpretes como um dos principais erros. Agora, a autora parece ter aprendido a lição e resolveu preencher sua nova trama com tipos apenas essenciais para o contexto.

O fato de ter deixado de lado as culturas estrangeiras, que já tinham virado uma espécie de marca, também merece menção. A sua última novela que não teve isso foi o remake de "Pecado Capital", em 1998. Isso porque "América" (2005), querendo ou não, teve os Estados Unidos como uma das temáticas (em virtude da abordagem dos imigrantes ilegais).

quinta-feira, 4 de maio de 2017

"Conversa com Bial" chegou para ficar

O "Programa do Jô" ficou 16 anos ocupando as madrugadas da Globo, após um também longevo período no SBT, época em que se chamava "Jô Soares Onze e Meia". Quando a atração saiu do ar no final do ano passado, todos lamentaram e com razão. A emissora cometeu um erro tirando um apresentador tão icônico do ar. Sua ausência ainda é sentida. Entretanto, assim que foi anunciado Pedro Bial como seu 'substituto', implicando ainda na sua saída do comando do "BBB", uma expectativa foi gerada. Afinal, ele conseguiria honrar a missão? Passado o período de preparação do formato e de acordo com a estreia da última terça-feira (02/05), a resposta é sim.


O "Conversa com Bial" se mostrou um programa muito mais talk do que show, onde o entrevistado é o protagonista e o foco é o debate de ideias. Bem diferente dos seus concorrentes diretos ---- o "The Noite" com Danilo Gentili (no SBT) e o "Programa do Porchat" com Fábio Porchat (na Record) ----, cuja principal característica é justamente a piada constante, onde o apresentador é o elemento principal do humor. Aliás, o próprio "Programado Jô" tinha muito disso em várias entrevistas, sendo necessário citar ainda as clássicas introduções, com ele lendo notícias do dia de forma sarcástica (o que também é feito pelos concorrentes).

Na nova atração essas características foram suprimidas. Bial nem fez introdução para chamar a sua primeira convidada: a ministra Cármen Lúcia. Ele foi logo para o que interessava, ou seja, o bate-papo. E a conversa fluiu maravilhosamente bem. Debateram sobre a justiça, a descrença da população, a legitimidade da Lava-Jato e até mesmo sobre o que ela escuta dos taxistas quando se locomove pela cidade.

terça-feira, 2 de maio de 2017

"Malhação - Pro Dia Nascer Feliz" repetiu todos os erros de "Malhação - Seu Lugar No Mundo"

A vigésima quarta temporada de "Malhação" chega ao fim nesta quarta (03/05), em virtude do novo esquema equivocado da Globo em encerrar produções no meio da semana por causa de uns míseros números a mais de audiência --- muitas vezes pouco eficaz. As únicas tramas que vêm escapando dessa estratégia equivocada são as do horário nobre. Ao menos a próxima fase começará na segunda-feira, como tem que ser. E "Malhação - Pro Dia Nascer Feliz" quebrou uma tradição que já vinha sendo adotada pelo seriado adolescente há alguns anos: a de mudar os autores e o elenco a cada temporada. A história recém-terminada foi escrita pelo mesmo Emanuel Jacobina, que foi o responsável por "Malhação - Seu Lugar No Mundo" e fez questão de manter alguns personagens de seu enredo passado. Infelizmente, a experiência foi decepcionante. Ele conseguiu repetir todas as falhas da temporada anterior.


"Malhação - Seu Lugar No Mundo" apresentou um começo interessante, mas logo depois começou a se perder em meio a conflitos bobos, personagens superficiais e situações forçadas. Para culminar, houve ainda uma gritante falha na abordagem de questões relevantes, como a AIDS, por exemplo. O saldo final foi o pior possível, colocando a trama na lista das piores temporadas do seriado. A audiência foi satisfatória, mas o conjunto nunca fez por merece-la. Ou seja, o fato de continuar no comando do seriado adolescente era a chance que o autor tinha para se redimir, apresentando uma nova fase com tudo o que não teve na outra, corrigindo seus erros e apresentando um enredo de qualidade ---- como o que foi escrito por ele em 2010, quando o público se encantou por tipos carismáticos como Catarina (Daniela Carvalho), Maicon (Marcelo Mello Jr.), Raquel (Ariela Massoti), Pedro (Bruno Gissoni), entre outros.

E o começo de "Malhação - Pro Dia Nascer Feliz" foi muito promissor. Realmente parecia que Emanuel Jacobina estava disposto a apresentar um roteiro bem melhor estruturado para o telespectador, repleto de tipos bem mais densos. A trama central era bem interessante e girava em torno da família de Ricardo (Marcos Pasquim), dono da Academia Forma, que era pai justamente dos três melhores perfis femininos: Bárbara (Bárbara França), Juliana (Giulia Gayoso) e Manuela (Milena Melo).

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Valeu muito a pena rever "Torre de Babel" no Viva

O Viva vem reprisando "Torre de Babel" desde 10 de outubro de 2016 e a trama está em plena reta final. A problemática novela de Silvio de Abreu obteve ótimos índices de audiência no canal a cabo, comprovando que a produção deixou uma boa memória no público. E esse resultado acaba refletindo a qualidade da bem estruturada história do autor, que conseguiu reverter a rejeição inicial dos telespectadores em 1998, transformando a obra em um grande sucesso, com direito a várias cenas marcantes.


A reprise expõe bem todas as modificações que o enredo sofreu ao longo dos meses, mas também mostra a habilidade que Silvio teve para mexer em tudo sem descaracterizar os personagens e a sua história. Inicialmente, a produção foi voltada exclusivamente para a vingança de Clementino, o papel mais complexo e desafiador da carreira de Tony Ramos. O protagonista assassinou a esposa com golpes de pá, foi preso por 20 anos, e saiu da cadeia disposto e destruir a vida do poderoso César (Tarcísio Meira), que testemunhou o assassinato, sendo o maior 'responsável' pela sua condenação.

A explosão do Tropical Tower Shopping foi a sequência mais marcante da novela e entrou para a história da teledramaturgia, até porque os efeitos especiais ficaram primorosos, principalmente considerando toda a infraestrutura de um produto da década de 90.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

"Lady Night" explora o melhor de Tatá Werneck

No dia 10 de abril estreou o "Lady Night", novo programa de entrevistas do Multishow. Na verdade, mais um talk-show em meio a vários que se proliferam na tv aberta e fechada. Mas o maior diferencial desse formato é justamente a apresentadora. Tatá Werneck é conhecida pela facilidade que tem em improvisar e nada mais justo que ser a primeira mulher a comandar um produto desse tipo em um canal a cabo ---- uma vez que Luciana Gimenez tem um talk-show na Rede TV! desde 2012 ("Luciana By Night") e Marília Gabriela nunca teve plateia ao longo dos 20 anos do "Marília Gabriela Entrevista" no GNT.


Vale ressaltar, entretanto, que a  própria Tatá teve um programa seu no mesmo Multishow chamado de "O Estranho Show de Renatinho" em 2016 ("Renatinho", por sinal, é o nome de sua banda). Mas era um formato mais parecido com os da extinta MTV, onde a humorista brilhava com seus trotes, imitações e brincadeiras. O "Lady Night" é um claro talk-show mesclado com alguns momentos de descontração da apresentadora, que protagoniza rápidos quadros com seus convidados durante as entrevistas e ainda conta com participações esporádicas dos comediantes Marco Gonçalves, Felipe Gracinco e Daniel Furlan ---- além deles, Grace Gianoukas (com quem a atriz fez uma ótima dupla em "Haja Coração") e o próprio pai de Tatá marcam presença.

Não há maiores novidades no formato. É um talk-show como outro qualquer, mas tem uma duração menor que vários similares (cerca de 40 minutos), deixando um gostinho de quero mais sempre que acaba. E Tatá é o maior trunfo do programa, como tem que ser em qualquer bom produto do gênero.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Com ótimas participações, show de Gui Santiago arrepia em "Rock Story"

No capítulo desta quarta-feira (26/04), "Rock Story" apresentou um de seus melhores capítulos. Isso porque a novela de Maria Helena Nascimento mergulhou de cabeça na sua essência: o rock. Pela primeira vez, o folhetim dedicou quase 15 minutos (que é bastante em se tratando de números musicais) a um show que marcou a volta de Gui Santiago (Vladimir Brichta) ao estrelato. O protagonista finalmente deixou a maré de azar de lado e conseguiu alcançar o sucesso novamente através de uma arrepiante superprodução.


Maria de Médicis e Dennis Carvalho merecem elogios pela realização desse show que pareceu real. Aliás, poderia até acontecer mesmo. Tony Belloto, Paula Toller e Paulo Ricardo fizeram participações especialíssimas e empolgaram junto de Vladimir Brichta. Os quatro cantaram o clássico "Será", da Legião Urbana, na íntegra e o clima de nostalgia foi inevitável. A apresentação arrepiou e fez valer a pena todo o trabalho que com certeza deve ter dado aos produtores da novela. Mas não foi só isso, pois a 4.4 também se destacou.

Zac (Nicollas Prates), JF (Maicon Rodrigues), Nicolau (Danilo Mesquita), Tom (João Vitor Silva) e Jaílson (Enzo Romani) arrepiaram quando cantaram "Do Seu Lado", sucesso de Nando Reis e Jota Quest, se apresentando pela primeira vez com cinco integrantes, uma vez que Nicolau conseguiu voltar para a banda temporariamente, enquanto se trata do câncer. E parece uma banda profissional, por mais que seja parte de uma mera ficção.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Triângulo central de "Novo Mundo" é praticamente igual ao de "Liberdade, Liberdade"

Que a atual novela das seis é um primor todo mundo já sabe. A trama escrita pelos talentosos Alessandro Marson e Thereza Falcão (a primeira deles como autores principais) tem esbanjado capricho e apresentado um delicioso contexto histórico servindo de pano de fundo para o clássico folhetim. A audiência, por sinal, vem correspondendo ao bom conjunto exibido. Entretanto, o triângulo amoroso principal de "Novo Mundo" vem causando um incômodo pela quantidade de semelhanças com "Liberdade, Liberdade", novela das onze exibida ano passado.


A destemida Anna Milman é professora de português da princesa Leopoldina (Letícia Colin) e se apaixonou perdidamente pelo aventureiro Joaquim (Chay Suede), sendo correspondida. Os dois têm o mesmo ideal de justiça e estão à frente do tempo. Mas a mocinha acabou despertando o interesse do ganancioso Thomas (Gabriel Braga Nunes), oficial da marinha inglesa que se transforma em homem de confiança da família Real portuguesa, escondendo seu verdadeiro intuito de impedir que o Brasil se torne independente, dando um golpe em todos.

Na semana passada, o poderoso homem conseguiu separar o casal graças a Elvira (Ingrid Guimarães), 'esposa' trambiqueira de Joaquim que foi atrás do 'marido', provocando um choque em Anna, que terminou tudo com o amado após saber do passado do rapaz, acreditando que ele tem um filho com a mulher.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

"Vade Retro" tem ótimo elenco, texto afiado e boa proposta

Estreou nesta quinta (20/04), na faixa antes ocupada pela fraca "Chapa Quente", na Globo, a nova série de Alexandre Machado e Fernanda Young. "Vade Retro" é a nova aposta da dupla de roteiristas, conhecidos pelas ótimas "Os Normais" (2001/2003), "Os Aspones" (2004), "Minha Nada Mole Vida"(2006), "Separação?!" (2010), "Macho Man" (2011) e "Como Aproveitar o Fim do Mundo"(2012). Vale lembrar, entretanto, que a última experiência do casal na emissora foi traumática, pois "O Dentista Mascarado"(2013) foi um imenso fracasso e massacrada pela crítica. A missão agora é justamente esquecer esse fiasco e voltar aos bons tempos.


E vale lembrar ainda que os autores tiveram duas experiências muito bem-sucedidas no canal a cabo GNT. Eles emplacaram duas temporadas da divertida "Surtadas na Yoga" (2013/2014) e uma da irônica "Odeio Segundas" (2015) ----- cuja segunda temporada já foi encomendada para ano que vem. De volta à televisão aberta, após quatro anos afastados, a nova produção deles na Globo é dirigida pelo competente Mauro Mendonça Filho e conta com um elenco repleto de talentos. Foi por causa dessa série, aliás, que Monica Iozzi saiu da bancada do "Vídeo Show" (onde fazia um imenso sucesso como apresentadora) para se firmar de vez na sua carreira de atriz. Ela protagoniza a trama ao lado do grande Tony Ramos.

A história retrata a clássica luta do bem contra o mal, explorando essa dualidade através da insegura advogada Celeste (Monica Iozzi) e do poderoso empresário Abel Zebu (Tony Ramos). Ela é uma profissional fracassada, que mora com a mãe (Leda - Cecília Homem de Mello) e sofre com a ausência de clientes. Seu grande 'feito' na vida foi ter sido beijada pelo Papa João Paulo II quando o pontífice veio ao Brasil.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

"Viva a Diferença": o que esperar da próxima temporada de "Malhação"?

"Malhação - Pro Dia Nascer Feliz" não deixará saudades. Após um começo promissor, Emanuel Jacobina repetiu todos os seus erros de "Malhação - Seu Lugar No Mundo". Após duas temporadas seguidas com o mesmo autor, o seriado adolescente contará agora com um 'estreante' na Globo: o competente Cao Hamburger. Responsável por sucessos como "Castelo Rá-Tim-Bum" (1994), "Disney Club" (1997), "Um Menino muito Maluquinho" (2006), "Que Monstro te Mordeu?" (2014), entre outros, o escritor agora se aventurará na produção dramatúrgica mais longeva da emissora.


Experiente em lidar com o público jovem, o autor preparou um enredo bastante convidativo em torno da amizade de cinco meninas completamente diferentes uma da outra. Isso porque pela primeira vez o seriado adolescente não contará com um casal protagonista. Serão cinco mulheres norteando a trama. Outra novidade é a ambientação. Após 24 temporadas tendo o Rio de Janeiro como cenário, agora é São Paulo a cidade selecionada como pano de fundo para os conflitos adolescentes. As zonas leste e sul de SP foram as escolhidas.

Entretanto, haverá uma similaridade com a fraca "Malhação - seu lugar no mundo": a presença de dois colégios, um particular e outro público. Resta torcer para que agora os dramas sejam abordados com competência, explorando bem as diferenças de ensino e da própria vida dos alunos, uma vez que Jacobina falhou totalmente na missão.

terça-feira, 18 de abril de 2017

"Os Dias Eram Assim" tem estreia despretensiosa e promissora

"O que a história separou só o amor pode unir de novo". A nova novela das onze, agora chamada de "supersérie", representa bem a frase dita no teaser da produção: um amor entre dois jovens sendo atingido o tempo todo por um doloroso contexto histórico. "Os Dias Eram Assim" estreou nesta segunda-feira (17/04) com um capítulo despretensioso e que retratou muito bem (em apenas 40 minutos) tudo o que o enredo irá abordar ao longo dos próximos meses. Um romance clássico norteia o roteiro, cujo foco é a Ditadura Militar e todos os processos enfrentados pelo Brasil nas décadas de 70, 80 e 90. Ficção e a realidade que muitos viveram sendo mesclados.


Prevista inicialmente para ser um folhetim das seis, a produção foi transferida para o horário das onze e acabou beneficiada, pois a faixa permite uma exploração bem maior em torno das torturas, crimes e momentos mais fortes envolvendo o regime militar. Angela Chaves e Alessandra Poggi estreiam a primeira novela delas como autoras principais, após anos trabalhando como colaboradoras. A Globo vem investindo cada vez mais em escritores novos e a atitude é mais do que válida. A exibição do primeiro capítulo (disponível uma semana antes pelo aplicativo Globo Play) mostrou um enredo bem estruturado e dramas bastante convidativos.

A trama começou exibindo imagens reais de manifestações a favor da constituição, dos militares revistando pessoas nas ruas e capas de jornal a respeito do "AI-5" (o Ato Institucional mais duro do governo militar), do anúncio dos Gorilas de um golpe contra Jango, entre outras matérias. E toda essa compilação era embalada pela marcante música "Deus Lhe Pague", cantada pela saudosa Elis Regina.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Tiago Leifert terá que melhorar muito no "BBB 18"

A décima sétima edição do "Big Brother Brasil" chegou ao fim na última quinta-feira (13/04), saindo de cena como a pior da história do reality. A vitória da mimada e egoísta Emilly era previsível e acabou fazendo jus ao conjunto deplorável que foi a temporada, após meses de edições tendenciosas, elenco fraco e ausência de situações atrativas, culminando ainda em uma expulsão tardia. Infelizmente, um dos muitos erros do "BBB 17" foi justamente o comando de Tiago Leifert, que teve a dura missão de substituir  Pedro Bial, que apresentou o formato por 16 anos.


O novo apresentador foi escolhido em virtude do seu incontestável carisma e do seu bom desempenho no "The Voice Brasil" e "The Voice Kids". Realmente, analisando as opções disponíveis para a Globo, ele era mesmo a melhor escolha. E ainda é, apesar de tudo. Tem boa desenvoltura diante das câmeras e sabe conversar com o telespectador. Não por acaso virou o maior destaque do jornalismo esportivo da emissora na época que comandava o "Globo Esporte" de São Paulo,  se tornando ainda uma das figuras centrais durante a Copa do Mundo. Entretanto, seu desempenho no "BBB" foi muito questionável e inconstante.

Seu início foi decepcionante. Desanimado e apático, Tiago parecia pouco à vontade no lugar que Bial ocupou por tantos anos e muitas vezes passou a impressão de estar ali por pura obrigação. Mas, ao longo das semanas (e provavelmente após cobranças da direção para se soltar mais), o apresentador foi ficando mais seguro na função e encontrou o tom. Começou a brincar mais com os participantes e demonstrou estar a par de tudo o que estava ocorrendo na casa.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

"Os Dias Eram Assim": o que esperar da próxima novela das onze?

A Globo resolveu chamar as suas novelas das 23h de "supersérie". A razão é desconhecida, mas parece que nada mais é do que uma simples vergonha em assumir o gênero folhetim em mais uma faixa. A questão é que perceberam isso um pouco tarde, após seis novelas já terem sido exibidas ----- "O Astro", "Gabriela", "Saramandaia", "O Rebu", "Verdades Secretas" e "Liberdade, Liberdade". Até porque essa trama terá cerca de 90 capítulos, sendo mais do que os enredos anteriores (que tiveram por volta de 60). Ou seja, essa súbita alteração classificatória soa ridícula. Mas, deixando isso de lado, a nova produção vem apresentando chamadas convidativas e teve um clipe animador (que pode ser conferido aqui).


Com o título de "Os Dias Eram Assim", a novela das estreantes Angela Chaves e Alessandra Poggi foi escolhida às pressas para substituir "Jogo da Vida", folhetim de Lícia Manzo que iria ao ar este ano e acabou transformado em minissérie, adiado para 2018. A trama das autoras novatas --- que já trabalharam como colaboradoras de Manoel Carlos, Gilberto Braga, entre outros ----, dirigida por Carlos Araújo, terá a Ditadura Militar como pano de fundo e aproveitará o horário mais permissivo para cenas fortes para explorar toda essa fase tenebrosa do país. Mas, obviamente, terá uma linda história de amor norteando o roteiro, utilizando as diferentes ideologias políticas como foco de conflito. Vale lembrar de produções icônicas que conseguiram mergulhar no tema e contar uma bela trama, como "Anos Rebeldes" (1992), por exemplo, e até mesmo a primeira fase de "Senhora do Destino" (2004).

A trama começa no dia 21 de junho de 1970, dia da final da Copa do Mundo, com o Brasil terminando o torneio tricampeão. É no cenário de euforia das pessoas nas ruas que Renato (Renato Góes) e Alice (Sophie Charlotte) se conhecem, iniciando uma história de amor que atravessará duas décadas, cruzando com eventos históricos importantes do país --- da repressão às diretas.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Marcos, valores invertidos, expulsão e a irresponsabilidade da produção do "BBB 17"

Que a décima sétima edição do "Big Brother Brasil" é a pior da história do programa, é um fato consumado. Já foram listadas várias razões para confirmar isso. Mas agora essa edição conseguiu ficar ainda mais vergonhosa. Tudo porque Marcos, um dos participantes mais protegidos da produção junto com Emilly, foi flagrado em mais um completo descontrole, intimidando Ieda e acuando a sua 'namorada' de uma forma assustadora. Isso depois da mesma Emilly ter mostrado para Ieda seu braço roxo, alegando que ele a tinha beliscado várias vezes por ciúmes de um integrante de uma banda que foi fazer show na casa.


É assustador constatar o fanatismo das torcidas e como a produção desse "BBB" foi omissa em vários aspectos. Criaram dois monstros através de edições tendenciosas e agora perderam o controle. Depois das imagens aterrorizantes que o público foi obrigado a ver (e quem tem Pay-Per-View já havia visto), Tiago Leifert simplesmente disse que a equipe estava "alerta" e "preocupada". Para culminar, avisou que o que aconteceu na casa acontece muito na vida real, mas sem câmeras. Tudo bem, mas e daí? A diferença é que dessa vez o Brasil foi testemunha de uma intimidação, que culminou em agressão, principalmente quando Marcos enfiou o dedo na cara da Emilly (literalmente) e na hora que a imobilizou no chão, impedindo que ela o afastasse. Deu nojo.

O pior é que ele já havia repetido esse comportamento com ela semana passada, no quarto do líder. E também já acuou Ieda várias vezes, esbanjando agressividade. Conseguiu desrespeitar todas as mulheres que haviam restado na casa nessa reta final, incluindo ainda Vivian e Marinalva.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Os vencedores da 59ª edição do ultrapassado "Troféu Imprensa"

Foi ao ar na noite deste domingo (09/04), a quinquagésima nona edição do "Troféu Imprensa". Comandada por Silvio Santos, a premiação contou com Márcia Piovesan (Revista "Tititi"), Sônia Abrão ("A Tarde é Sua" - Rede TV!), Nelson Rubens ("TV Fama" - Rede TV!), Flávio Ricco (Portal Uol e Diário de São Paulo), Ricardo Feltrin (Portal Uol), Ligia Mesquita (Folha de São Paulo), Marcelo Bartolomei (Revista Caras e Contigo) e duas novidades: o blogueiro Hugo Gloss e Jorge Luiz Brasil, da Revista Minha Novela. Como ocorre em todos os anos, várias injustiças foram cometidas na seleção dos finalistas de cada categoria, resultando em algumas vitórias questionáveis, embora alguns vencedores tenham sido merecedores.


O maior absurdo segue sendo a escolha dos três finalistas para o juri selecionar o vencedor. Todos são definidos por votação popular (170 mil pessoas votaram pelo site do SBT e pelo Portal MSN) e isso resulta em situações inacreditáveis, como Bruno Gagliasso e Malvino Salvador concorrerem como Melhor Ator, por exemplo, ao lado do ótimo Sérgio Guizé, que deu show como Candinho em "Êta Mundo Bom!". Bruno é talentoso, mas seu mocinho em "Sol Nascente" foi totalmente insosso. Já Malvino Salvador nem deveria estar ali. Ao menos venceu merecidamente o Sérgio, incluindo o Troféu Internet. O esquecimento de nomes como Marco Nanini ("Êta Mundo Bom!"), Mateus Solano, Marco Ricca (ambos por "Liberdade, Liberdade") e o saudoso Domingos Montagner ("Velho Chico") foi surreal.

O próprio sistema de votação do juri também continua injusto, pois só cinco são escolhidos aleatoriamente em cada categoria. Ou seja, não são todos que votam em cada rodada. Se a questão é o tempo, bastaria selecionar os votos com comentários e os sem. Simples assim. Mas, infelizmente, esse tipo de reclamação é algo recorrente e nunca mudarão.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Nathalia Dill convence na pele das gêmeas Júlia e Lorena em "Rock Story"

Interpretar gêmeos não é uma tarefa fácil, ainda que a presença de irmãos idênticos tenha virado um clichê folhetinesco. Já foram vários ao longo de mais de cinquenta anos de novelas. Tony Ramos em "Baila Comigo", Eva Wilma na primeira versão  de "Mulheres de Areia", Glória Pires no remake de "Mulheres de Areia", Reynaldo Gianecchini em "Da Cor do Pecado", Murilo Benício em "O Clone", Alessandra Negrini em "Paraíso Tropical", Mateus Solano em "Viver a Vida", Cauã Reymond em "Dois Irmãos", enfim, vários atores já viveram essa experiência na teledramaturgia e todos se saíram muito bem. A missão agora é de Nathalia Dill, que entrou para esse seleto time e está totalmente à vontade em "Rock Story".


Na pele das gêmeas Júlia e Lorena, a atriz está podendo expor a sua versatilidade diariamente, convencendo tanto na pele da gêmea boa quanto no corpo da gêmea má. São dois perfis bem diferentes, embora iguais fisicamente, fazendo jus aos outros exemplos já abordados nas novelas. Afinal, qual a graça em ter gêmeos iguais em tudo? Nenhuma. A não ser que eles nem se conheçam, como foi o caso de "Baila Comigo", em um ótimo recurso de Manoel Carlos, que também explorou com competência as nuances de Jorge e Miguel em "Viver a Vida", evitando qualquer traço de vilania em um e excesso de bondade em outro. Mas a autora Maria Helena Nascimento optou pelo clichê mesmo.

E vem acertando na condução até agora. Seu grande erro foi ter demorado tanto em trazer Lorena para o Brasil. A vilã ficou cinco meses fora do país (desde que a novela estreou, em novembro de 2016), aparecendo apenas para falar com Júlia pelo computador ou telefone. O recurso cansou e a enrolação ficou evidente.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

"BBB 17" é a pior edição da história do "Big Brother Brasil"

A décima sétima temporada do "Big Brother Brasil" pode ser definida em uma palavra: catastrófica. Após uma aparente boa seleção de participantes, priorizando a diversidade, o reality se mostrou tedioso e repleto de pessoas sem carisma, atitude e lealdade alguma. Para culminar, a apresentação de Tiago Leifert se mostrou inconstante e a edição ultrapassou todos os limites da parcialidade, beneficiando claramente alguns jogadores e prejudicando outros, influenciando o telespectador de forma descarada. E infelizmente vários outros problemas foram detectados ao longo das semanas, como novos quadros que não surtiram o efeito desejado e tentativas fracassadas de movimentar um jogo morto.


Ao não homenagear Pedro Bial, por exemplo ---- que teve sua imagem vinculada ao programa por 16 anos ----, a edição expôs a ingratidão da produção do formato e também uma falta de consideração com o público, simplesmente fingindo que o jornalista nunca existiu ali. Nem sequer o citaram uma única vez. E, claro, a ausência do apresentador foi muito sentida. Leifert é desenvolto, mas teve um começo inseguro e estava apático. Com o tempo foi se soltando e até se encontrou na apresentação. Entretanto, acabou se perdendo na sua total parcialidade, não fazendo questão alguma de esconder suas preferências, e ainda interferiu demais no jogo, chegando ao cúmulo de sugerir que o grupo mexicano (quando a casa foi dividida por um muro) escondesse objetos para manter a mentira que eles haviam criado sobre o vencedor da prova do líder.

A edição absurdamente tendenciosa servia de base para o apresentador influenciar o público a pensar da forma como eles queriam, beneficiando claramente Emilly e Marcos, que foram os protagonistas dessa temporada em virtude da fraqueza dos concorrentes. Como os dois rendiam cenas para o programa, a equipe não se preocupou em disfarçar a preferência pelos dois, sempre os favorecendo o quanto podiam.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

A postura correta da Globo e o machismo de José Mayer

A última semana de "A Lei do Amor" foi marcada não pelo final de uma novela problemática e desfigurada, mas sim pela repercussão da denúncia de que José Mayer teria assediado uma figurinista da produção ---- segundo consta, ela vinha sendo assediada há 8 meses e só recentemente teve coragem de denunciar. O ator demorou para se pronunciar e nem esteve presente na tradicional confraternização do elenco no último capítulo. Sua única resposta, dias depois, havia sido "Não confundam ficção com realidade", tentando colocar a vítima como idiota, a responsabilizando por confundi-lo com o asqueroso Tião Bezerra, vilão do folhetim de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari.


Mas, ontem, terça-feira, dia 4 de abril, José Mayer escreveu uma carta aberta assumindo sua culpa e se desculpando. O 'documento' foi lido no "Jornal Hoje", "Vídeo Show" e "Jornal Nacional", com direito ainda ao pronunciamento da Globo a respeito do caso, prestando total apoio a Su Tonani, figurinista assediada que fez a denúncia. A emissora ainda fez questão de anunciar a suspensão do ator por tempo indeterminado ---- antes do escândalo, ele já estava escalado para um dos principais papéis de "O Sétimo Guardião", novela de Aguinaldo Silva prevista para 2018.

A carta aberta diz o seguinte: "Eu errei. Errei no que fiz, no que falei, e no que pensava. A atitude correta é pedir desculpas. Mas isso só não basta. É preciso um reconhecimento público que faço agora. Mesmo não tendo tido a intenção de ofender, agredir ou desrespeitar, admito que minhas brincadeiras de cunho machista ultrapassaram os limites do respeito com quem devo tratar minhas colegas.

terça-feira, 4 de abril de 2017

"A Força do Querer" tem uma estreia morna

"Querer... querer não é sonhar. Querer é se jogar. Querer é trabalhar, superar, realizar. Querer não é desejo, desejo sem suor. Querer é movimento, insistência, persistência, o meu melhor." O teaser de "A Força do Querer" apresentou essa mensagem para o público, iniciando uma espécie de descrição a respeito da motivação dos personagens da nova novela das nove, que estreou nesta segunda-feira (03/04), substituindo a problemática e desfigurada "A Lei do Amor". A responsabilidade de Glória Perez, agora, é recuperar a audiência do horário nobre ---- afinal, ironicamente, sua 'tarefa' com "Salve Jorge" (2013) era manter o imenso sucesso de "Avenida Brasil", falhando na missão.


Pela primeira vez, após várias novelas, a autora não abordará cultura de outros países e focará exclusivamente no Brasil. Tanto que a história começou na fictícia vila do Parazinho, no Pará, tendo a sensual Ritinha (Isis Valverde) como figural central. Ela é uma das três protagonistas do enredo, dividindo o posto com Bibi Perigosa (Juliana Paes) e Jeiza (Paolla Oliveira). Glória adotará um esquema de rodízio de protagonismos, mesclando as três futuramente, tendo a policial vivida por Paolla como elo de ligação, pois a mesma se envolverá com o ex de Ritinha (Zeca - Marco Pigossi) e tentará prender Bibi ---- que vira a Baronesa do Pó após se envolver com um traficante (Rubinho - Emílio Dantas).

O curioso é que na estreia só uma protagonista apareceu de fato e ainda assim bem pouco. O desgaste da relação de Bibi com Caio (Rodrigo Lombardi) foi exposto, para logo depois vir o término e a junção definitiva dela com Rubinho. Já a sensual Ritinha só apareceu nos minutos finais, nadando no rio em meios aos peixes. Nada de Jeiza.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Descaracterizada e problemática, "A Lei do Amor" começou promissora e terminou decepcionante

"A Lei do Amor" foi uma novela 'problemática' antes mesmo de estrear. Isso porque a história teve a sua estreia subitamente adiada, cedendo lugar para"Velho Chico", que inicialmente seria uma trama das seis. As explicações dadas ---- por causa do teor político do enredo em época de eleições municipais ---- nunca foram convincentes e naufragaram de vez quando o folhetim de Benedito Ruy Barbosa acabou explorando a política muito mais que a sua substituta. A mudança ainda implicou em uma tragédia involuntária, pois Domingos Montagner faria o Tião Bezerra, mas preferiu interpretar o Santo dos Anjos, falecendo em uma tragédia na reta final das gravações. Entretanto, deixando todas essas questões de lado, havia uma boa expectativa em cima da primeira produção de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari no horário nobre.


Os autores vinham de um elogiado trabalho: "Sangue Bom", deliciosa trama das sete exibida em 2013 que agradou público e crítica. Além, claro, do respeitável currículo de Maria Adelaide, responsável pelas primorosas minisséries ""A Muralha", "Os Maias", "A Casa das Sete Mulheres", "JK", "Queridos Amigos", "Dercy de Verdade", entre tantas outras, incluindo o inesquecível remake da novela "Anjo Mau". E, para culminar, o elenco grandioso despertou ainda mais atenção, como Vera Holtz vivendo sua primeira grande vilã, Grazi Massafera de volta após o sucesso da Larissa em "Verdades Secretas", José Mayer na pele de um sujeito desprezível, Cláudia Raia interpretando uma devoradora de homens, Tarcísio Meira retornando aos folhetins, e Reynaldo Gianecchini e Cláudia Abreu vivendo os mocinhos, além de vários outros ótimos nomes.

O início do enredo, ao menos, despertou interesse e fez jus ao que vinha sendo apresentado nas chamadas. A primeira fase foi linda, voltada para o romance de Pedro e Helô, valorizando a química entre Chay Suede e Isabelle Drummond, destacando ainda os grandiosos Tarcísio Meira e Vera Holtz.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Pierre Baitelli precisava apenas de uma oportunidade e ganhou com o Antônio em "A Lei do Amor"

A vida de um jovem ator não é fácil. Mas de atores de verdade. Aqueles que lutam por amor às artes cênicas e não porque querem aparecer na televisão. Muitos buscam um lugar ao sol através de peças de teatro com infraestrutura precária e retorno financeiro quase nulo. Alguns conseguem ótimas oportunidades em "Malhação", dando um bom pontapé inicial na carreira. Já outros seguem batalhando, sem maiores chances. E um ator brilhou em "A Lei do Amor", abraçando a maior oportunidade que ganhou até agora. Seu nome é Pierre Baitelli.


O intérprete do Antônio finalmente teve a chance de mostrar o seu talento na atual novela das nove e se destacou na pele de um dos personagens mais espirituosos do folhetim de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari. O perfil começou timidamente na segunda fase, mas logo foi mostrando força, destacando o ator e crescendo na história. Ele tem como principal característica a autopiedade, em virtude de suas constantes frustrações amorosas, e adora rir de suas 'desgraças'. Tem um humor refinado, além de transbordar integridade. Lembra bastante, inclusive, o Nolan Ross (Gabriel Mann), da série americana "Revenge". Os atores até se parecem fisicamente.

Filho da oportunista Gigi (Milla Moreira), o rapaz sempre foi melhor amigo da mimada Letícia (Isabella Santoni) e nutria um amor não correspondido por ela. Chegou a ficar no meio do triângulo amoroso da amiga, pois também é parceiro de Tiago (Humberto Carrão) e era de Isabela (Alice Wegmann).

quarta-feira, 29 de março de 2017

"Novo Mundo" mal começou e já exibiu uma ótima sequência de batalha

A nova novela das seis mal estreou e já vem esbanjando capricho, exibindo cenas de grande qualidade, onde o trabalho da direção de arte, figurino e do diretor Vinícius Coimbra ficam em evidência. A sequência que mais impressionou até então foi exibida nesta segunda-feira (27/03), focando em ótimos embates entre piratas e a guarda Real que protegia a princesa Leopoldina (Letícia Colin) em sua viagem para o Brasil. Foi tudo realizado em um navio construído especialmente para essa novela e não ficou devendo em nada aos filmes do gênero, tendo a saga "Piratas do Caribe", da Disney Pictures, como principal referência.


O ataque da gangue liderada pelo pirata Fred Sem Ama (Leopoldo Pacheco excelente) teve um quê de aventura infantil e isso não foi um demérito, muito pelo contrário. Deu um toque de fantasia mais do que bem-vindo, ao mesmo tempo que apresentou um perfil que representa parte da história do Brasil como vítima de um sequestro. Ainda funcionou plenamente para enfatizar a valentia do casal de mocinhos formado por Joaquim (Chay Suede) e Anna (Isabelle Drummond), além de ter mostrado a faceta corajosa e cômica da princesa Leopoldina e a vilania de Thomas (Gabriel Braga Nunes). Ou seja, desenhou melhor alguns dos principais personagens para o público.

Não é exagero comparar os momentos com filmes da Disney, pois, mesmo sem os efeitos especiais de primeiro mundo (até porque não há criaturas sobrenaturais, monstros ou algo do tipo), todas as cenas de luta impressionaram. Tanto pela coreografia dos atores e figurantes, quanto pelos diálogos inspirados, vide o divertido momento em que Joaquim pediu Anna em casamento enquanto os dois batalhavam com os piratas, com direito a socos, chutes e espadadas.

terça-feira, 28 de março de 2017

"A Força do Querer": o que esperar da próxima novela das nove?

A última novela de Glória Perez no horário nobre não deixou saudades. "Salve Jorge" (2013) tinha como grande objetivo manter o sucesso da faixa após o fenômeno "Avenida Brasil", mas fracassou miseravelmente na complicada missão. Cheia de furos, situações absurdas e personagens sem carisma, a trama foi massacrada por crítica e público, tendo ainda vários atores fazendo figuração de luxo como defeito. Para culminar, a própria escritora criticou a direção fraca do folhetim. Agora, passados quatro anos, a veterana autora retorna com um enredo focado na vida de três mulheres e não terá um país de fora (com bordões, danças e costumes) como parte do conjunto.


A história, dirigida por Rogério Gomes, será protagonizada por três personagens femininas fortes: a policial Jeiza (Paolla Oliveira), a bandida Bibi Perigosa (Juliana Paes) e a sedutora Ritinha (Isis Valverde). O trio norteará o roteiro e cada uma terá o seu momento na novela. A escolha das atrizes se mostra muito bem pensada, pois são nomes de peso e que geram repercussão. Glória declarou que os conflitos serão contados individualmente no início para só depois tudo se entrelaçar. O clipe de 30 minutos da trama (que pode ser conferido aqui) dedica praticamente dez minutos para cada protagonista, mesclando com alguns núcleos paralelos que prometem outras situações interessantes.

Movidas pelo querer, as pessoas são sempre desafiadas a fazer escolhas. Escolhas que fazem bem ou que se voltam contra. Os quereres são múltiplos e se interligam, se chocando ou se harmonizando. São justamente essas questões que serão traduzidas através do enredo escrito por Glória.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Maior trunfo da novela, Vera Holtz carrega a reta final de "A Lei do Amor" nas costas

"A Lei do Amor" sofreu várias alterações em virtude da baixa audiência e da interferência dos grupos de discussão. Muitas dessas mudanças foram péssimas para o enredo de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, prejudicando o conjunto do folhetim (dirigido por Denise Saraceni) ---- que está em plena reta final ---- e retirando de cena bons personagens, implicando ainda na aniquilação da personalidade de vários que permaneceram. Entretanto, uma única situação ficou melhor e foi justamente o crescimento da vilania de Magnólia (Vera Holtz).


A personagem sempre foi uma das mais atrativas da história e foi a mentora do plano que separou Pedro (Reynaldo Gianecchini) e Helô (Cláudia Abreu) na primeira fase. Porém, ao longo da segunda fase, a vilã apenas proferia frases de efeito e pouco agia. Apenas ameaçava e muitas vezes ficava de lado, enquanto Tião (José Mayer) era o autor das maiores vilanias da trama, enfrentando todos e mandando executar seus inimigos. Ela guardava vários segredos e todo esse mistério em volta da matriarca da família Leitão era mantido escondido pelos autores.

Com as mudanças no roteiro, os 'sigilos' de Mag foram quebrados mais cedo e a sua verdadeira face foi mostrada para o público. O intuito era, claramente, deixá-la como uma figura dúbia por um bom tempo, mas as mexidas na história fizeram a grande vilã ser completamente exposta assim que o seu caso de 20 anos com Ciro (Thiago Lacerda) foi revelado.

sexta-feira, 24 de março de 2017

"The Voice Kids" se firma como um dos maiores êxitos da Globo aos domingos

O "The Voice Kids" estreou no início de janeiro e a segunda temporada vem repetindo os bons índices de audiência da primeira, comprovando que o público aprovou mesmo a versão 'júnior'. E não é muito difícil descobrir as razões para o êxito do programa, principalmente comparando com o formato adulto, que já teve cinco temporadas e anda bastante desgastado. São vários pontos que contam a favor.


É incontestável a espontaneidade que crianças trazem em qualquer atração e não é diferente no "The Voice". Todas transbordam carisma e graça, despertando uma simpatia imediata do público. Tanto que é triste quando o menino ou a menina é reprovado, mesmo não cantando tão bem. E as respostas deles durante as rápidas conversas com os técnicos sempre rendem algumas pérolas divertidas, muito em virtude da inocência dos pequenos. Mas não é só de graciosidade que vive a atração.

Vários participantes impressionam pela potência vocal e muitas crianças se mostram bem mais talentosas do que alguns aprovados no formato adulto. O repertório é outra qualidade delas. As músicas escolhidas são quase sempre clássicos da MPB, rock, pop, entre tantos outros gêneros conhecidos, inclusive o sertanejo, só que o de raiz, muitas vezes esquecido pelos novos artistas que surgem.

quinta-feira, 23 de março de 2017

"Novo Mundo" estreia com clima de aventura e muito capricho

"Um mundo novo. Um mundo de novas paixões e novas histórias. Um mundo de novas aventuras e novas surpresas. E nesse mundo novo tudo pode acontecer." O teaser de "Novo Mundo" passou de forma simples tudo o que a nova novela das seis tem a apresentar. A trama dos estreantes Thereza Falcão e Alessandro Marson estreou nesta quarta (22/03) ---- estratégia controversa já quase fixada pela Globo em prol de uma audiência maior ----, substituindo a fraca e esquecível "Sol Nascente", que saiu do ar com a sensação de 'já foi tarde'.


A novela, dirigida por Vinícius Coimbra, é ambientada no século XIX, e começa em 1817, há 200 anos, período em que Dom Pedro (Caio Castro) se casa por procuração com Leopoldina (Letícia Colin), em virtude de um acordo político. É justamente na viagem da princesa austríaca para o Rio de Janeiro que Anna Millman (Isabelle Drummond) e Joaquim Martinho (Chay Suede) se conhecem, os mocinhos do enredo. Ou seja, a proposta do novo folhetim é ter a história do Brasil como pano de fundo, apresentando uma espécie de conto de fadas para embalar o romance dos protagonistas, que ainda terão um vilão maquiavélico como obstáculo ---- o Thomas Johnson (Gabriel Braga Nunes), responsável pela segurança Real.

A trama acabará em 1822, quando Dom Pedro e Leopoldina forem declarados imperadores do Brasil. Até lá muitos conflitos e dramas ficcionais serão abordados durante uma época que faz parte do conteúdo de qualquer aula de história, quando o Brasil fica independente de Portugal.

terça-feira, 21 de março de 2017

Sem emoção e esquecível, "Sol Nascente" teve poucas qualidades

Foram praticamente sete meses no ar. "Sol Nascente" chega ao fim nesta terça, após longos meses apresentando um roteiro raso, repleto de equívocos e modorrento. A novela de Walther Negrão, Suzana Pires e Júlio Fisher, dirigida por Leonardo Nogueira, foi fraca do início ao fim e já não empolgava desde as primeiras chamadas. Portanto, o roteiro decepcionante não chegou a ser uma surpresa, principalmente ao analisar os últimos folhetins repetitivos de Negrão.


Embora não tenha participado ativamente da escrita dessa novela em virtude de problemas de saúde, a sinopse era do autor e ele supervisionou a obra durante todo o período de exibição. A maior prova disso era a quantidade de semelhanças com outros trabalhos do escritor, principalmente envolvendo o vilão e os mocinhos. A audiência da produção foi satisfatória (teve média de 21 pontos), embora tenha derrubado os índices do fenômeno "Êta Mundo Bom!". Entretanto, os números não refletiram a qualidade da trama e muito menos a repercussão, que foi nula.

A novela começou com belíssimas imagens, mas pouca história. E, lamentavelmente, a primeira impressão acabou se firmando ao longo dos meses. Recheada de personagens desinteressantes e conflitos bobos, a produção não se sustentou nem por dois meses. Antes mesmo de chegar na metade, já havia ficado claro que o enredo não teria estrutura para ficar no ar por sete meses.

sexta-feira, 17 de março de 2017

"O Rico e Lázaro" apresenta um bom começo

"A Terra Prometida" ficou quase nove meses no ar. A trama estreou em julho de 2016 e só acabou nesta segunda-feira (13/03). Embora não tenha repetido o fenômeno de "Os Dez Mandamentos", a audiência foi satisfatória e houve uma nítida melhora na qualidade dos cenários e figurinos, embora o exagero nas interpretações e a barriga (comum em produções da emissora que sempre são esticadas) tenham continuado ---- o último capítulo, por sinal, foi tão fraco quanto o da produção anterior. Agora a missão da Record é manter os bons índices com "O Rico e Lázaro", nova novela bíblica da emissora que acabou de estrear.


Escrita por Paula Richard (que foi uma das colaboradoras de "Os Dez Mandamentos") e dirigida por Edgar Miranda, a nova trama é inspirada em uma parábola bíblica que começa 600 a.C., quando dois homens morrem no mesmo dia e um vai para o paraíso e o outro para o inferno. O enredo é uma passagem do livro sagrado dos cristãos em que Jesus fala aos seus discípulos. A primeira cena do primeiro capítulo foi justamente a imagem de uma pessoa no inferno (uma espécie de umbral), em meio a vários efeitos especiais.

Após a cena citada, um momento de batalha virou o centro das atenções, liderado por Nabucodonosor (Heitor Martinez), poderoso imperador da Antiguidade. A sequência ficou muito bem feita e se mostrou infinitamente melhor do que todas as cenas do mesmo tipo exibidas em "A Terra Prometida" e "Os Dez Mandamentos" juntas.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Laura Cardoso foi o único acerto de "Sol Nascente"

A atual novela das seis está perto do seu fim e pouco se salvou do enredo, infelizmente. Foram muitos problemas no frágil roteiro ao longo de sua exibição, entre outros equívocos. Mas, ao menos os autores Walther Negrão, Suzana Pires e Júlio Fischer acertaram na escolha da espetacular Laura Cardoso para viver a grande vilã da trama. A fria Dona Sinhá foi o ponto alto do folhetim dirigido por Leonardo Nogueira.


A maldosa velhinha aparentemente simpática e doce se mostrou uma bela ideia dos escritores, que aproveitaram o imenso talento da intérprete para destacar o perfil em um desanimador conjunto de tipos apáticos e sem carisma. Assim que entrou na novela ---- a produção já estava no ar há quase um mês quando a vilã chegou, tendo César (Rafael Cardoso) na figura de grande malvado até então ----, Laura já mostrou que dominaria todos os momentos com facilidade. E assim o fez.

Dona Sinhá logo se mostrou uma senhora debochada, cruel e fria, capaz de qualquer coisa para atingir seu maior objetivo: seguir com sua lavagem de dinheiro --- usando a jogatina como arma --- e de quebra se vingar de Tanaka (Luis Melo) através do neto, César, que manipulava Alice (Giovanna Antonelli), filha do inimigo que demitiu seu filho anos atrás, 'provocando' a morte do rapaz.

terça-feira, 14 de março de 2017

Enquanto "A Lei do Amor" abusa do machismo, "Rock Story" aborda o tema com competência

Machismo é um mal que acomete a sociedade. E é algo que sempre esteve presente nas novelas antigamente, mesmo que de forma involuntária, através de homens manipuladores que bancavam os 'machos viris', enquanto as mulheres eram sempre as frágeis e indefesas, entre tantos outros exemplos. Mas, ao longo do tempo, tudo veio melhorando, ainda que esteja longe do ideal. As mocinhas (não todas, diga-se) deixaram de ser tontas e os perfis masculinos passaram a apresentar lados mais sensíveis. Toda essa longa introdução tem o objetivo de expor a diferença na abordagem do tema em duas novelas: "Rock Story" e "A Lei do Amor".


Na atual novela das sete, Léo Régis (Rafael Vitti) vazou fotos nuas (o popular 'nude'') de Diana (Alinne Moraes) para se vingar da ex, que o abandonou em pleno altar. A situação não é meramente folhetinesca, pois acontece muito na vida real. Inclusive com famosos. E é uma atitude que expõe o machismo na sua mais cruel forma, além de ser crime. Afinal, trata a mulher como mero objeto e a exposição sempre rende xingamentos de 'vagabunda', 'vadia' e afins, enquanto o homem nunca é hostilizado como merece pelo que fez.

A atitude do cantor foi tratada na história com extrema condenação, inclusive dos seus familiares ---- nem mesmo a mãe Néia (Ana Beatriz Nogueira) e a irmã Yasmin (Marina Moschen) lhe apoiaram ----, iniciando uma fase mais maquiavélica do personagem. Não houve qualquer justificativa a esse seu ato.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Ótimo como Léo Régis, Rafael Vitti se destaca em "Rock Story"

Ele foi uma grata revelação de "Malhação Sonhos" e conquistou o público interpretando o atrapalhado Pedro, que formou um casal de grande sucesso com a esquentadinha Karina (Isabella Santoni) em 2014. Depois da bem-sucedida temporada escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm, Rafael Vitti fez uma participação no quadro "Não se apega, não", do "Fantástico" (2015), e esteve na primeira fase de "Velho Chico" (2016), vivendo o vilão Carlos Eduardo. Agora, em "Rock Story", o ator brilha na pele do mimado Léo Régis, fazendo jus ao destaque que tem na trama de Maria Helena Nascimento.


O personagem é uma ótima crítica da autora a todos esses artistas adolescentes que surgem sem nenhuma bagagem, se deslumbrando rapidamente com a fama e o sucesso. Léo Régis é um ícone pop que começou a se destacar na mídia quando lançou a música "Sonha Comigo", canção escrita por Gui Santiago (Vladimir Brichta), que o acusa publicamente de roubo. O rapaz nunca se importou com as acusações do rival e sempre faz questão de provocá-lo, aumentando o ódio entre os dois. Para culminar, ele ainda se envolveu com Diana (Alinne Moraes), ex-esposa de Gui.

O cantor também é superprotegido pela mãe, a controladora Néia (Ana Beatriz Nogueira), e sua relação com a irmã Yasmin (Marina Moschen) ficou estremecida quando soube que a garota está namorando Zac (Nicolas Prattes), filho de Gui e um dos integrantes da 4.4, banda que passou a rivalizar no mercado musical com ele.

quinta-feira, 9 de março de 2017

"BBB 17" se mostra uma edição sem lealdade, sem verdade e sem alma

A décima sétima edição do "Big Brother Brasil" tinha o grande desafio de não ter Pedro Bial apresentando, mas havia outra missão a ser encarada: apresentar um bom elenco, após o fenômeno Ana Paula (participante que entrou para a história do reality ano passado, provocando uma imensa repercussão e elevando a audiência). Embora Tiago Leifert jamais consiga ser igual ao apresentador anterior (nem teria como), ele acabou se encontrando no comando do formato. Porém, o time selecionado fracassou incontestavelmente.


A seleção parecia promissora e houve uma clara preocupação em priorizar a diversidade, fugindo daqueles padrões que o público do "BBB" já estava acostumado, onde os sarados, jovens e 'gostosonas' eram maioria e os 'normais' exceções. Quase todos da atual edição se encaixavam na categoria de pessoas 'comuns' e o time chegou a empolgar no começo. Mas foi um mero 'fogo de palha'. Com o passar das semanas, foi ficando evidente que vários ali não se entregaram ao programa e muito menos se mostraram jogadores carismáticos.

O que costuma mover um bom reality show é a formação de alianças e ótimos embates, despertando rivalidades empolgantes. Tanto que isso resulta em torcidas ferrenhas em provas do líder, do anjo, da comida, enfim... O jogo bem disputado provoca um clima de tensão constante ao mesmo tempo que não impede momentos de diversão.

terça-feira, 7 de março de 2017

Sem rumo, "A Lei do Amor" não tem mais história para contar

"A Lei do Amor" acaba em abril, ou seja, falta cerca de um mês para o seu fim. Mas a novela parece ter acabado desde a morte de Fausto (Tarcísio Meira). Depois que o patriarca da família Leitão se vingou de Magnólia (Vera Holtz), sofrendo um infarto fulminante pouco tempo depois, a história não demorou para se esgotar e perder o rumo completamente. Vale citar, claro, que as inúmeras mutilações no roteiro em busca de uma maior audiência contribuíram bastante para isso. Porém, ainda assim, o conjunto vem se mostrando bem frágil.


O único acontecimento relevante, exibido semana passada, foi o flagra que Letícia (Isabella Santoni) deu em Tiago (Humberto Carrão) e Marina (Alice Wegmann), batendo no marido e na amante. A sequência mereceu elogios e, por sinal, foi a responsável pela maior audiência da novela, superando até a estreia, marcando 32 pontos. Esse irritante triângulo amoroso, inclusive, é só o que sobrou no enredo. Tirando isso não há mais nada a ser contado, evidenciando uma clara invenção de conflitos forçados para preencher o tempo dos capítulos, desfigurando até mesmo características de vários personagens. 

O casal protagonista, por exemplo, foi destruído. Os mocinhos faziam parte da cota de acertos do folhetim, cuja química entre Reynaldo Gianecchini e Cláudia Abreu era incontestável. Entretanto, Pedro e Helô ficaram sem conflito e perderam o destaque que tinham.

sexta-feira, 3 de março de 2017

"Novo Mundo": o que esperar da próxima novela das seis?

A missão da próxima novela das seis será devolver a qualidade ao horário. Afinal, após uma trinca de ouro formada por "Sete Vidas", "Além do Tempo" e "Êta Mundo Bom!", a faixa decaiu muito com "Sol Nascente", um folhetim insípido, inodoro e incolor. Mas, se as convidativas chamadas forem apenas um preâmbulo de tudo o que virá pela frente, o público será presenteado com uma produção bastante caprichada ---- cujo clipe pode ser conferido aqui.


Escrita por Alessandro Marson e Thereza Falcão (que estreiam a primeira novela, após vários trabalhos como colaboradores), a trama é dirigida por Vinícius Coimbra e é ambientada há quase 200 anos, época que a arquiduquesa austríaca Leopoldina (Letícia Colin) fez uma travessia do Atlântico para o Brasil com o intuito de se tornar esposa de Dom Pedro (Caio Castro), personagem fundamental no processo de independência do país. Ou seja, o contexto histórico será mesclado com elementos ficcionais, servindo como pano de fundo para o enredo.

Nessa viagem, em meio a marujos, artistas, oficiais, cientistas e aventureiros, dois jovens se apaixonam e despertam para um novo mundo. Essas duas pessoas são a professora de português Anna Millman (Isabelle Drummond) e o ator Joaquim Martinho (Chay Suede), que viverão uma bela história de amor entrelaçada à luta do Brasil pela construção de uma nação independente.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Melhor humorístico do país, "Tá no Ar: a TV na TV" mantém o fôlego na quarta temporada

Manter o frescor de um produto não é uma tarefa nada fácil, ainda mais tratando de humor na televisão. O risco da repetição, culminando em um desgaste, muitas vezes é inevitável. Exemplos não faltam, afinal, basta lembrar do antigo "Zorra Total" (antes da benéfica renovação), que já tinha perdido a graça há tempos, ou então do "Pânico na Band", que vem pecando na mesmice ano após ano. Mas, ao contrário das atrações citadas e de tantas outras, o "Tá no Ar": a TV na TV" é uma honrada exceção nesse meio.


O programa já está em sua quarta temporada e com o mesmo fôlego da primeira, exibida em 2014. O formato vem colecionando elogios desde a bem-sucedida estreia, abusando das piadas certeiras e muitas vezes bastante corajosas em todos os episódios. São quatro anos não poupando ninguém, sobrando para a própria Globo, além de políticos, comerciais, desenhos, artistas, filmes, séries, novelas, enfim. As tiradas bem-humoradas têm um ritmo frenético, fazendo o tempo (pouco mais de 30 minutos da atração) passar voando.

É impressionante como o roteiro de Marcelo Adnet, Marcius Melhem, Maurício Farias e equipe é inspirado, conseguindo brincar e atingir em cheio todos os alvos. E a liberdade que a emissora dá a eles fica evidente em todos os programas, pois não há qualquer limite imposto.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Alinne Moraes brilha na pele da complexa Diana em "Rock Story"

Uma das qualidades da atual novela das sete é a presença de vários personagens bem construídos. "Rock Story" apresenta muitos perfis cheios de camadas, evitando o tradicional maniqueísmo de bem X mal, embora algumas vezes tenha mesmo esse tradicional embate, até para honrar os elementos de um bom folhetim. E o tipo mais complexo da trama de Maria Helena Nascimento, dirigida por Maria de Médicis e Dennis Carvalho, é a Diana, vivida com brilhantismo por Alinne Moraes.


A personagem foi casada com o protagonista Gui Santiago (Vladmir Brichta) e tem uma filha com ele. Empresária bem-sucedida e sócia da Som Discos, empresa que tem em sociedade com seu pai, o bonachão Gordo (Herson Capri), Diana é uma mulher arrogante e mimada. Trata os outros com um ar de superioridade e não mede esforços para conseguir o que quer. Sempre foi perdidamente apaixonada pelo marido, mas acabou dando um basta na relação, após várias atitudes inconsequentes dele, levando em consideração ainda muitas traições do roqueiro.

Para se vingar do pai da sua filha, acabou iniciando um relacionamento com Léo Régis (Rafael Vitti), o grande rival do marido, que fez um grande sucesso cantando "Sonha Comigo", música de autoria de Gui (que o acusa de roubo). Porém, ela nunca amou o rapaz mais jovem e sempre o tratou como um mero passatempo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Após início inseguro, Tiago Leifert se encontra no "BBB 17"

Substituir um apresentador icônico como Pedro Bial e que ainda por cima apresentou o "Big Brother Brasil" por 16 temporadas não seria nada fácil. Portanto, era perfeitamente compreensível a dificuldade que o novo 'comandante' do "BBB" teria ao assumir a função. A escolha do desenvolto Tiago Leifert para encarar o desafio foi natural, levando em consideração o seu desempenho no "The Voice Brasil" e "Kids", além de sua superexposição desde que entrou para a área de entretenimento da Globo. E até ele enfrentou complicações no começo. Mas, felizmente, tudo vem se acertando com o tempo.


O início do "BBB 17" foi bastante questionável, levando em conta principalmente a falta de consideração da equipe do programa com Bial. Não fizeram uma homenagem sequer a ele e começaram a nova edição ignorando por completo a sua existência. Fazer isso com um apresentador que foi tão importante para a história do reality é imperdoável. Para culminar, Leifert teve um começo desanimado e parecia uma figura meramente decorativa. Ou seja, a conjunção de fatores não era nada boa, facilitando a rejeição.

O novo comandante da atração apenas dizia o texto, sem grandes empolgações, e interagia timidamente com os participantes, muitas vezes fazendo brincadeiras que claramente tinham a intenção de criar uma proximidade inexistente. O estranhamento inicial era natural e inevitável, mas parecia pior do que o esperado.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Emanuel Jacobina destrói sua história e subestima o público em "Malhação - Pro Dia Nascer Feliz"

"Malhação - Pro Dia Nascer Feliz" acaba em abril. Emanuel Jacobina emendou duas temporadas (também foi o autor da anterior, cujo subtítulo foi  "Seu Lugar no Mundo") e a atual trama vem repetindo os mesmos problemas da passada: a perda total de rumo do enredo. É evidente que a história se esgotou antes mesmo da metade e muito em virtude da falta de um bom encaminhamento de situações que pareciam promissoras. Quase tudo foi destruído ao longo dos meses, sem maiores explicações.


O escritor se preocupou em criar uma boa trama central e até conseguiu, tanto que a rivalidade entre a mocinha Joana (Aline Dias) e a vilã Bárbara (Bárbara França) é um dos poucos acertos que restou na temporada --- muito embora peque na repetição em vários momentos, cujos diálogos já se esgotaram. Entretanto, tudo que cerca essa rivalidade foi sendo aniquilado aos poucos. Ou seja, os conflitos paralelos (alguns deles inicialmente bem atrativos) foram completamente alterados, ignorando qualquer lógica e subestimando a inteligência do telespectador.

O casal formado por Lucas (Bruno Guedes) e Juliana (Giullia Gayoso), por exemplo, é um dos casos mais gritantes. O grafiteiro tímido sempre foi apaixonado pela patricinha e a aproximação se deu através do clássico jogo de gato e rato, típico da teledramaturgia. Os dois viviam se implicando até que começou a surgir um clima.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Machismo permeia irritante triângulo formado por Tiago, Marina e Letícia em "A Lei do Amor"

Que "A Lei do Amor" se perdeu depois das mutilações em virtude da baixa audiência todos já estão cansados de saber. Porém, uma situação que se mostrou equivocada desde o início da trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari foi o triângulo amoroso composto por Tiago (Humberto Carrão), Isabela (Alice Wegmann) --- agora Marina --- e Letícia (Isabella Santoni), a partir da segunda fase. O machismo sempre esteve presente nessa trama, provocando um sério incômodo que foi aumentando com o tempo.


A filha de Helô começou a história se recuperando de um câncer e os autores já colocaram o namorado Tiago cansado da relação, demonstrando claramente que não a amava mais. Pouco tempo depois, ele se apaixonou perdidamente por Isabela e ela, apesar de uma resistência inicial, retribuiu o sentimento. O rapaz ficou em cima da garçonete, sem demonstrar qualquer remorso em virtude do seu relacionamento com Letícia. Não demorou para os dois iniciarem um caso. E toda essa construção foi feita de forma equivocada por Maria Adelaide e Vincent.

A paixão de Tiago e Isabela ficou rasa e a relação aconteceu rápido demais. Já o fato do personagem ter traído a namorada e adiado ao máximo o término do noivado também prejudicou a empatia do par. A intenção era expor um Tiago humano, longe da perfeição dos certinhos (perfis muitas vezes cansativos). Mas não funcionou. Pelo contrário.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

"Vídeo Show" finalmente reencontra o seu DNA

Um dos programas mais longevos da Globo é o "Vídeo Show". Está no ar há 34 anos. Um período bastante respeitável. Porém, uma atração que fica tanto tempo na grade acaba sofrendo um natural desgaste. E o formato vespertino vinha sofrendo bastante nos últimos anos. A mudança mais drástica e reprovável foi quando Zeca Camargo assumiu a função de apresentador. Nada deu certo. Mas, felizmente, houve uma grande melhora com a escolha de Monica Iozzi e Otaviano Costa como apresentadores, embora o conteúdo tenha continuado equivocado e longe das origens. A saída de Monica foi um banho de água fria no ressurgimento do programa, que havia voltado a ter uma boa resposta do público. Só que aos poucos tudo foi se acertando.


Apesar do erro de Maíra Charken na bancada, fracassando na missão de substituir Monica, a direção foi fazendo um rodízio de apresentadores até efetivar Joaquim Lopes ao lado de Otaviano. Era isso, aliás, que deveria ter sido feito desde a saída dela. Os dois sempre tiveram entrosamento de sobra, formando uma boa dupla. Agora o programa vem sendo muito bem comandado por eles, que claramente se divertem na bancada e têm intimidade para brincadeiras entre as matérias, sem que as mesmas pareçam forçadas ou artificiais. Ou seja, o problema na apresentação havia sido solucionado com sucesso. Só faltava mesmo o conteúdo. Entretanto, não falta mais.

O formato trouxe de volta o DNA que o consagrou. O foco das matérias voltou a ser os bastidores das produções da emissora e da televisão, deixando de lado reportagens inúteis sobre cantores sertanejos e celebridades. O "Novelão da Semana" se firmou de vez e agora é apenas "Novelão", pois não há mais uma duração específica, dependendo do folhetim em questão.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Loucura de César em "Sol Nascente" expõe a falta de criatividade de Walther Negrão

É de conhecimento público que Walther Negrão deixou de ser o autor titular de "Sol Nascente" ainda no início da novela em virtude de problemas de saúde (foi internado algumas vezes). A trama das seis ficou sob o domínio de Suzana Pires e Júlio Fischer, dois escritores que nunca assinaram um folhetim (eram apenas colaboradores). Entretanto, claro que Walther segue supervisionando a sua obra. A prova é a presença de vários traços dele no enredo. E a loucura de César (Rafael Cardoso), faltando menos de dois meses para o fim da produção, expõe isso com mais nitidez, evidenciando ainda a falta de criatividade do escritor.


O vilão começou a história tramando para se vingar da família de Alice (Giovanna Antonelli), usando a mocinha através de um relacionamento sem amor, e tudo sob o comando da avó, a maquiavélica Dona Sinhá (grande Laura Cardoso). Com o tempo, no entanto, César se apaixonou de verdade pela mulher, iniciando um comportamento cada vez mais agressivo. Agora o personagem surtou de vez e virou um psicótico, assassinando até mesmo João Amaro (Rafael Zulu), seu comparsa, somente porque a avó demonstrava clara preferência por ele. Fica claro que o inicialmente calculista malvado se transformou em um maluco em potencial.

Só que a grande questão de todo esse encaminhamento do roteiro é a repetição do autor. Praticamente todas as suas novelas tem exatamente o mesmo desfecho envolvendo o vilão: todos enlouquecem no final. E isso já vem de muito tempo.