sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Guto e Benê esbanjam delicadeza em "Malhação - Viva a Diferença"

"Malhação - Viva a Diferença" não é uma trama sobre casais. Ela se diferencia das demais temporadas por focar nas questões individuais dos personagens, tendo cinco protagonistas e não um ou dois pares. O foco é a força da amizade, tendo vários conflitos e dramas pessoais correndo por fora, incluindo os relacionamentos amorosos, obviamente. Mas o espaço para momentos românticos existe e a melhor relação da história é a de Guto (Bruno Gadiol) e Benê (Daphne Bozaski).


Primeiramente, porque Benedita é o perfil mais cativante do quinteto central, apresentando particularidades apaixonantes, como levar tudo o que é dito ao pé da letra, além de jogar verdades na cara dos outros de forma natural e até inocente. Ela sofre de Síndrome de Asperger, um grau leve de autismo, mas o 'problema' nunca foi dito no enredo. Todos sabem que a menina é diferente, embora ninguém saiba exatamente o porquê. Sua dificuldade com o toque e o barulho sempre foi seu maior obstáculo, provocando alguns surtos, inclusive. 

Já Guto é um dos tipos masculinos mais complexos da história, carregando um nuvem de incertezas consigo. Tímido e retraído, o rapaz nunca teve facilidade em socializar com as meninas, mesmo sendo considerado o bonitão da escola. O fato de nunca ser visto namorando, por sinal, começou a despertar desconfianças de alguns.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

"O Rico e Lázaro" expôs o esgotamento das tramas bíblicas da Record

Após o fenômeno "Os Dez Mandamentos", maior sucesso da Record, exibida em 2015, deixando a Globo para trás algumas vezes, a emissora resolveu adotar de vez o esquema de obras bíblicas. O canal dos bispos sempre priorizou esse tipo de produção, mas, ainda assim, havia espaço para outro tipo de histórias. Porém, na faixa das 20h30 ficou estabelecido esse padrão. A questão é que depois nenhuma outra chegou perto do êxito ou da repercussão da mesma. E, com "O Rico e Lázaro", esse esgotamento, que era cada vez mais inevitável, chegou de vez.


A trama de Paula Richard, dirigida por Edgar Miranda, estreou em março, substituindo "A Terra Prometida", um folhetim que obteve uma audiência razoável, mas longe do desejado, pois tinha entrado no lugar da equivocada 'segunda temporada' de "Os Dez Mandamentos". Ou seja, foi a quarta produção bíblica seguida. A coprodução com a Casablanca, iniciada durante todo esse processo de padronização de folhetins da emissora, melhorou um pouco a qualidade de alguns cenários e nos efeitos especiais de cenas específicas. O problema foi a mesmice.

A história, que chega ao fim em novembro, seguiu a cronologia das passagens da Bíblia e, teoricamente, o encaminhamento observado nos folhetins anteriores. Mas, claro, com novos personagens e outros conflitos. Só que todo o conjunto permaneceu igual.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Briga do quinteto central promove boa virada e comprova o talento das atrizes em "Malhação - Viva a Diferença"

Quando há assunto de sobra para ser comentado sobre uma trama é sinal de que a produção está no caminho certo. "Malhação - Viva a Diferença" já provou e comprovou isso várias vezes desde a sua estreia, em maio. Após abordagens precisas sobre o uso de drogas na adolescência e racismo, a temporada apresentou uma grande virada na história: o rompimento da amizade do quinteto protagonista. E a cena fez jus ao aguardado clímax.


Cao Hamburger esbanjou criatividade na semana passada, quando resolveu contar o drama de cada personagem em um dia da semana. Para isso, o autor usou o telefonema de Benê (Daphne Bozaski), expondo a tristeza das cinco meninas, plantando a dúvida na cabeça do telespectador a respeito do que teria acontecido com elas. E a 'saga' das explicações começou na terça-feira passada (07/11), com o conflito de Tina (Ana Hikari), sendo obrigada pela mãe a viajar para o Japão, após ter sido flagrada com Anderson (Juan Paiva) em seu quarto.

O drama de Lica foi exposto na quarta, com a garota conversando com Tina, e contando os problemas que enfrentou no período 'pós-balada em seu apartamento', confessando ainda que beijou Deco (Pablo Morais) em outra 'festinha'. A quinta foi o dia de Ellen, protagonizando o capítulo mais dramático. A garota se viu mais uma vez humilhada pelas colegas de escola, sendo vítima do preconceito social e do racismo.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Ao explorar declarações racistas de William Waack no "Domingo Espetacular", Record expõe seu telhado de vidro

Neste domingo (12/11), o "Domingo Espetacular" colocou como a matéria da semana as declarações de cunho racista de William Waack, provocando seu afastamento na Globo. Foram onze minutos de reportagem sobre toda a polêmica que ocorreu em torno do jornalista de sua concorrente. Nada de anormal nisso, afinal, foi um assunto de imensa repercussão e toda a imprensa noticiou o caso (provocando atenção até de veículos internacionais). O problema dessa reportagem específica é o telhado de vidro da Record.


A emissora dos bispos exibiu uma longa reportagem, sem apresentar nada de novo, reexibindo o trecho da declaração deprimente do jornalista e expondo as reações negativas de alguns atores da Globo, como Bruno Gagliasso, Cris Vianna e Lázaro Ramos, além de ferrenhas críticas de militantes negros. O programa ainda entrevistou Diego Pereira, operador de TV que presenciou o comentário de Waack e o divulgou um ano depois, quando foi demitido da emissora. Ainda exibiu declarações de Robson Cordeiro, amigo do rapaz que o ajudou a divulgar o vídeo.

Mas, ironicamente, quem estava apresentando a revista eletrônica dominical da Record e ainda anunciou a matéria foi Paulo Henrique Amorim. Para quem não lembra, o jornalista foi condenado por injúria racial em 2015,  quando perdeu definitivamente o processo movido por Heraldo Pereira, comentarista político do "Jornal da Globo" (e cotado para substituir Waack na bancada).

sábado, 11 de novembro de 2017

Márcia Cabrita era o retrato do sarcasmo e da alegria de viver

Nesta sexta-feira (10/11), o Brasil ficou mais triste. Márcia Cabrita faleceu, aos 53 anos, após lutar por sete anos contra um câncer no ovário. Diagnosticada em 2010, retirou os ovários e o útero, iniciando um tratamento que lhe acompanharia até o fim da vida. A atriz estava internada no Hospital Quinta D`Or, no Rio de Janeiro, há dez dias. Apesar de doente, nunca desistiu de trabalhar e sempre que apresentava alguma melhora participava de uma produção, sendo filme, novela ou série.


Sua última aparição na televisão foi na pele da impagável Narcisa, em "Novo Mundo", na Globo. A atriz seria a suja Germana (Vivianne Pasmanter) na novela primorosa de Alessandro Marson e Thereza Falcão, mas, em virtude do estágio do câncer, acabou não conseguindo ficar com um papel tão grande e precisou de um tempo para voltar. Os autores, então, escreveram a nova personagem especialmente para ela, que brilhou sempre que surgiu em cena. As tiradas da esposa de José Bonifácio (Felipe Camargo) eram hilárias e o sotaque português da intérprete idem.

Entretanto, infelizmente, Márcia precisou se afastar novamente da trama e Narcisa saiu antes do previsto, não retornando mais. Era um sinal da gravidade do seu estado. E a atriz ter conseguido forças para participar ao menos de alguns capítulos do folhetim apenas comprovou o quanto amava seu ofício e a vida.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Novos conflitos enriquecem trajetória de Ellen e destacam Heslaine Vieira em "Malhação - Viva a Diferença"

A atual temporada de "Malhação" tem merecido elogios diários e não é exagero. Cao Hamburger está exibindo uma trama repleta de bons personagens, tratando a adolescência com total veracidade. "Viva a Diferença" não podia ser um subtítulo melhor. O enredo prioriza o cotidiano, valorizando a vivência de cada perfil, revezando o destaque de cada um, focando mais nas cinco protagonistas, obviamente. E, agora, o autor iniciou uma nova saga para Ellen, vivida pela ótima Heslaine Vieira.


A menina do subúrbio foi a mais resistente em iniciar uma amizade com Lica (Manoela Aliperti), Tina (Ana Hikari), Keyla (Gabriela Medvedovski) e Benê (Daphne Bozaski), alegando a diferença social que as separavam. Mas, com o tempo, acabou se apegando demais a essas novas amigas, formando um quinteto inseparável. Ela, Benê e Keyla estudavam no Colégio Cora Coralina, instituição pública, enquanto Tina e Lica frequentam o Colégio Grupo, uma escola particular. Porém, o verbo ficou no passado para Ellen porque a garota conseguiu uma bolsa de estudos no colégio das amigas mais ricas.

E iniciou-se uma nova fase para a personagem a partir desse ponto. Bóris (Mouhamed Harfouch) foi quem conseguiu essa bolsa, após ter enfrentado Malu (Daniela Galli) e Edgar (Marcello Antony). A bolsa só veio, por sinal, depois de uma difícil prova aplicada, em uma tentativa do pai de Lica de barrar a entrada da menina humilde. Mas, ela passou com louvor e agora é uma aluna do Grupo.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Vídeo de William Waack e falas de Nádia em "O Outro Lado do Paraíso" provam que realidade e ficção se misturam

Nesta quarta-feira (08/11), foi divulgado um vídeo com William Waack proferindo comentários de cunho racista, enquanto cobria as eleições americanas em 2016. O áudio, embora de má qualidade, deixa bem claro o teor deprimente e preconceituoso do jornalista, após se irritar com uma buzina de carro. A repercussão, como não poderia deixar de ser, foi péssima e a Globo fez questão de afastar o profissional do "Jornal da Globo" por tempo indeterminado, enviando uma nota de esclarecimento. A coincidência dessa lamentável situação é a abordagem do racismo em "O Outro Lado do Paraíso", nova novela das nove.


Walcyr Carrasco vem explorando esse tema de uma forma bastante direta e forte, o que acaba gerando um certo incômodo em parte dos telespectadores. Alguns dizem (ou diziam) que o contexto era exagerado demais e as frases absurdas ditas por Nádia (Eliane Giardini) sobre os negros soavam irreais nos tempos de hoje. Porém, não há nada de forçado ou absurdo no núcleo da trama e a fala do jornalista da Globo apenas comprova isso, deixando evidente o paralelo entre ficção e realidade. No caso, infelizmente, o contexto real se coloca bastante similar (para não dizer idêntico) ao da história teoricamente fictícia.

O comentário de Waack para o colega Paulo Sotero, em Washignton, é curto, mas revoltante: "Tá buzinando por quê, seu merda do cacete? Não vou nem falar, porque eu sei quem é... é preto. É coisa de preto!" Após essa colocação deprimente, o jornalista ri. Apesar de ter dito isso em 2016 e o vídeo só ter vazado agora, Walcyr parece ter 'adivinhado' essa postura quando criou a Nádia.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

"Vídeo Game" retorna e mata as saudades do público

O "Vídeo Game" ficou no ar por dez anos. Um dos quadros mais longos (era quase um programa independente) e queridos do "Vídeo Show" estreou em 10 de dezembro de 2001 e foi encerrado em 30 de dezembro de 2011. Apesar do evidente desgaste nos últimos anos, o quadro deixou saudades no público e, para a alegria de muitos telespectadores, voltou nesta segunda-feira (06/11), após seis anos de hiato, sem maiores avisos da Globo, com o intuito de melhorar a audiência do formato vespertino.


A emissora não chegou a anunciar com antecedência esse retorno e o anúncio soou surpreendente. Isso apenas prova que foi uma ideia repentina, em virtude do cancelamento do "Estrelas" em 2018. O programa comandado por Angélica já vem se perdendo com o tempo e as últimas tentativas de 'recuperá-lo' não deram certo ---- o "Estrelas Solidárias" e o "Estrelas do Brasil" se mostraram bem desinteressantes. Ou seja, embora a divulgação da volta do "Vídeo Game" descreva a temporada como um 'especial de três semanas', há boas possibilidades de se fixar na grade ano que vem, voltando a compor o "Vídeo Show".

A estreia contou com o casal Fernanda Souza e Thiaguinho disputando com Camila Queiroz e Mariana Santos, colegas de cena em "Pega Pega". Quadros como Tele-Tubo, Tele-Tema e Momento Uepa, por exemplo, estão de volta, presenteando os saudosistas. E os quatro convidados se mostraram claramente felizes com a atração, expondo que também estavam sentindo falta da disputa comandada por uma descontraída Angélica.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Os 30 anos de "Brega & Chique", um dos maiores sucessos de Cassiano Gabus Mendes

Exibida entre 20 de abril e 6 de novembro de 1987, "Brega & Chique" completou 30 anos em 2017. A novela do saudoso Cassiano Gabus Mendes foi um dos maiores fenômenos do horário das sete da Globo, entrando para a história da teledramaturgia e chegando a marcar mais audiência que a trama de horário nobre da época ---- "O Outro", de Aguinaldo Silva. A produção teve como grandes destaques Marília Pêra, Glória Menezes e Marco Nanini, entre tantos outros grandes nomes, como excepcional Raul Cortez. Há três décadas ela chegava ao fim.


Dirigido por Jorge Fernando, o folhetim caiu nas graças do público com um enredo popular,  cuja inverossimilhança não prejudicou em nada o êxito da obra. Ambientada em São Paulo, a novela tinha duas mulheres de universos opostos como protagonistas: a perua Rafaela Alvaray (Marília) e a humilde Rosemere da Silva (Glória), que tiveram suas vidas cruzadas por causa do empresário Herbert Alvaray (Jorge Dória), casado com ambas. Sua família 'oficial' morava em uma mansão de bairro nobre e era a formada por Rafaela e seus filhos Ana Cláudia (Patrícia Pillar), Teddy (Tarcísio Filho) e Tamyris (Cristina Mullins), além da sogra Francine (Célia Biar) e do genro Maurício (Tatu Gabus Mendes).

Ou seja, para Rosemere, o empresário se chamava Mário Francis e os dois tinham apenas uma filha: Márcia (Fabiane Mendonça). Mas, a amante de Herbert tinha outros dois filhos: Amaury (Cacá Barrete) e Vânia (Paula Lavigne), além de um pai que ajudava a sustentar (Lourival - Fabio Sabag). Ao contrário da chique Rafaela, a humilde mulher era brega e morava em um bairro de periferia, lutando com dificuldades para manter a casa.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Em apenas um capítulo, "Malhação - Viva a Diferença" explora o racismo com bastante habilidade

A atual temporada de "Malhação" tem se superado a cada momento. Após a sequência da festa da Lica (Manoela Aliperti), retratando a adolescência com total realismo através de uma confraternização repleta de álcool, drogas e irresponsabilidade, a trama de Cao Hamburger --- dirigida por Paulo Silvestrini --- apresentou em um único capítulo uma sucessão de situações racistas. E o autor conduziu tudo habilmente, provocando uma imediata reflexão.


Durante a festa da filha de Edgar (Marcello Antony), Fio (Lucas Penteado) viu um sujeito furtando um objeto do apartamento de Lica e foi atrás para impedir. Porém, acabou pego por dois seguranças do condomínio. A continuação do momento foi ao ar através de flashback, logo depois do rapaz ter voltado para casa chorando, no dia seguinte, sendo consolado por Ellen (Heslaine Vieira) e sua mãe. Os homens humilharam o menino simplesmente porque ele é negro e pobre. Também não acreditaram que era um convidado da festa. Fio acabou conseguindo escapar em um instante de distração. Mas, já na rua, acabou parado pela polícia, que desconfiou do fato dele estar correndo. Até ser finalmente liberado.

O contexto não foi gratuito, pois estava diretamente ligado aos outros acontecimentos da festa, e expôs uma situação ainda muito comum. Vale destacar o diálogo de Fio com Ellen e familiares: "Você só passou por isso porque é preto, Fio!" "É, mas não tem como mudar a etnia, nem a cor da pele!" "Não, mas tem como lutar para acabar com isso!"

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

"Malhação - Viva a Diferença" retrata a adolescência com total realismo

Elogiar a atual temporada de "Malhação" virou uma rotina. Cao Hamburger está estreando como autor no seriado adolescente da Globo com o pé direito, após produções muito bem-sucedidas na TV Cultura e no cinema. Sua parceria com o diretor Paulo Silvestrini está acima das expectativas. E entre as várias qualidades de "Malhação - Viva a Diferença", é preciso enfatizar o grau de realismo que a adolescência vem sendo retratada.


A festa organizada por Lica (Manoela Aliperti), em seu apartamento, foi apenas mais uma prova do quanto que o mundo dos adolescentes vem sendo exposto com precisão, sem 'fantasias'. A menina mais rebelde da trama novamente procurou extravasar suas frustrações através de um aparente divertimento, sem pensar nas consequências. A 'reunião' teve bebida alcoólica à vontade, muita música, beijos e drogas. Tudo o que várias festinhas desse tipo costumam ter, para o desespero de muitos pais.

Todos sabem que menores de idade não podem beber, segundo a lei. Porém, é notório que essa legislação nunca é obedecida, ainda mais em festas particulares, promovidas pelos próprios adolescentes. Uma das grandes falhas presente em várias temporadas de "Malhação" era justamente a ausência de bebida alcoólica em momentos festivos ou qualquer momento de confraternização.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

"Deus Salve o Rei": visita aos Estúdios Globo

Em janeiro de 2018, a Globo vai estrear uma novela medieval em pleno horário das sete, após uma longa sequência de tramas contemporâneas na faixa. Para apresentar o trabalho da equipe de caracterização e produção de arte, a emissora me convidou (juntamente com outros blogueiros e alguns fãs) para conhecer a cidade cenográfica nos Estúdios Globo (antigo Projac) e o processo de criação desse novo produto ---- na página do blog no Facebook há 113 fotos disponíveis.


Como se nota, a antecipação é grande. A emissora vem se organizando cada vez mais no processo de produção das novelas e quanto mais trabalhoso é um folhetim, mais cedo ele começa a ser preparado. Como se trata de um enredo de época e rico em detalhes, a construção da cidade cenográfica começou em março desse ano, logo depois da aprovação da sinopse de Daniel Adjafre, que estreia sua primeira trama como autor solo, após anos colaborando com outros escritores.

Alguns integrantes da equipe de Mídias Sociais da Globo apresentaram para os convidados o logo da novela e exibiram um vídeo expondo o trabalho dos diretores, cenógrafos e todos os envolvidos na produção da trama, incluindo o autor, em cima da elaboração desse desafio. Sim, a palavra 'desafio' foi repetida inúmeras vezes por eles.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

"Adnight" volta repaginado, mas não merecia uma segunda temporada

A primeira temporada do "Adnight" foi trágica. O programa comandado por Marcelo Adnet foi merecidamente massacrado pela crítica e obteve índices de audiência bastante insatisfatórios para o que a Globo almejava. Porém, ao contrário do que todos esperavam, uma segunda temporada foi encomendada pela emissora e essa nova tentativa de alcançar o sucesso estreou na última quinta-feira (26/10), logo após o "The Voice Brasil".


O programa começou as mudanças no próprio título, que ganhou o "Show" como complemento. E a razão para essa alteração ficou evidente logo no primeiro dia: a bancada clássica de um formato de entrevistas foi retirada do palco, deixando o ambiente livre para o apresentador. Ou seja, não há mais talk-show. As roteirizadas e desinteressantes entrevistas vistas em 2016 ficaram no passado. O subtítulo 'show' significa uma mescla de rápidas provas e improvisações com os convidados, além de algumas esquetes inseridas ao longo da atração.

Portanto, realmente Adnet e sua equipe avaliaram as críticas e a rejeição da primeira temporada para uma reformulação geral do "Adnight". Todavia, essas várias mexidas deixaram claro que ninguém ali sabe muito bem o que fazer com o programa.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Permeada por desgraças, "Tempo de Amar" não honra seu título

Há pouco mais de um mês no ar, "Tempo de Amar" vem se mostrando uma novela belíssima esteticamente e apresentando um ótimo elenco. Entretanto, a novela das seis da Globo vem pecando bastante na narrativa e na elaboração do enredo. Com argumento de Rubem Fonseca e escrita por Alcides Nogueira e Bia Corrêa do Lago, o folhetim (dirigido por Jayme Monjardim) é arrastado e repleto de desgraças. O telespectador está acompanhando conflitos carregados de sofrimento, casais sem química e muitas vezes uma condução modorrenta.


A trajetória dos mocinhos começou mal, expondo um amor à primeira vista difícil de comprar, com direito a declarações apaixonadas e planos de casamento logo no primeiro capítulo. A pressa em juntá-los fez parecer que havia muita história para contar. Mas foi um ledo engano. Inácio (Bruno Cabrerizo) e Maria Vitória (Vitória Strada) foram separados em virtude da viagem do rapaz para o Rio de Janeiro, em busca de emprego, e desde então houve uma tragédia atrás da outra. Além, claro, de uma quantidade imensa de clichês.

Nada contra o clichê, até porque toda novela tem e muitos são irresistíveis, prendendo o telespectador quando bem trabalhados. No entanto, Alcides e Bia vêm abusando demais. Vitória engravidou de Inácio logo na primeira transa, implicando em uma briga ferrenha com seu pai, José Augusto (Tony Ramos), que a colocou em um convento como castigo e com o intuito de deixar o neto com as freiras.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

"Lady Night" virou o melhor programa do Multishow

O "Lady Night" foi uma das muitas estreias do Multishow no segmento da comédia. O canal a cabo resolveu investir quase toda a sua programação em formatos de humor, já há algum tempo, sendo vários deles séries ou comédias de situação (Sitcoms). A maioria, vale ressaltar, é bem fraca e sem a menor graça. Até mesmo o sucesso "Vai que cola" já cansou. Porém, o programa criado para Tatá Werneck teve uma primeira temporada boa demais, exibida entre abril e maio deste ano. Uma grata surpresa. Tanto que a segunda voltou em outubro.


A primeira leva de episódios da atração teve uma Tatá totalmente à vontade e convidados que se divertiram com a conhecida habilidade da apresentadora em improvisar, mesmo diante de um roteiro pré-definido. Era um formato claramente criado para aproveitar o melhor dela, que sempre foi uma das comediantes mais talentosas da extinta MTV. E funcionou bastante. O Talk-show entreteve e divertiu o telespectador, além da própria plateia, cujas gargalhadas eram bem espontâneas. Deixou um gostinho de quero mais.

Portanto, esse retorno foi mais do que bem-vindo. E a segunda temporada está conseguindo ser ainda melhor. Isso porque, com o sucesso da primeira, vários famosos se interessaram em participar e a equipe da atração teve muito mais facilidade em arrumar bons nomes para entrevistas. Por sinal, é preciso ressaltar essa questão das conversas.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

"O Outro Lado do Paraíso" estreia com imagens cinematográficas e trama promissora

"Tudo o que você faz um dia volta para você. Se você fizer o mal, com o mal mais tarde você vai ter de viver". A música "Boomerang Blues", da icônica Legião Urbana, é tema da abertura de "O Outro Lado do Paraíso", nova novela das nove, que estreou nesta segunda (23/10), com a missão de manter a qualidade e os elevados índices de "A Força do Querer", trama de sucesso de Glória Perez. E essa canção faz jus ao contexto desse novo enredo, escrito por Walcyr Carrasco e dirigido por Mauro Mendonça Filho, cuja premissa é justamente a popular lei do retorno.


Após vários sucessos seguidos no currículo e escrevendo para todas as faixas da Globo, Walcyr encara mais uma missão e prova é que o autor mais ativo da emissora. Está praticamente todo ano no ar e fazendo a alegria do canal através de expressivos números de audiência ---- "Amor à Vida" (2013), "Verdades Secretas" (2015) e "Êta Mundo Bom!" (2016) tiveram Ibope e repercussão excelentes, citando apenas seus trabalhos mais recentes. Depois de uma novela sobre traumas familiares, outra focada na sensualidade somada a um clima sombrio, e a última explorando o universo caipira, o escritor optou pelo clássico mote da vingança para prender o telespectador.

A partir de agora o público acompanhará a saga de Clara (Bianca Bin), mocinha inocente e íntegra, que jura ter achado um príncipe encantado até se ver no meio de um jogo de interesses, sofrendo ainda violência doméstica, temendo o próprio marido. A menina se encanta por Gael (Sérgio Guizé) logo no primeiro capítulo, sendo correspondida.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Repleta de qualidades, "A Força do Querer" foi a melhor novela de Glória Perez

A missão de Glória Perez era complicada. Levantar a média do horário nobre da Globo, após uma sucessão de novelas fracassadas e/ou problemáticas. Para culminar, o seu retorno era cercado de desconfianças, em virtude da equivocada "Salve Jorge", seu pior folhetim, exibido em 2013. Mas, a autora conseguiu cumprir o objetivo com louvor e calou a boca de quem duvidava. "A Força do Querer" elevou a média da faixa em nove pontos, ao longo de 173 capítulos, obtendo 36 de média geral (contra 27 de "A Lei do Amor"), se firmando como o maior sucesso do horário desde "Amor à Vida" (também com 36 pontos). Não é pouca coisa. E todo esse resultado fez jus ao que foi apresentado para o público.


"A Força do Querer" foi a melhor novela da escritora, conseguindo superar até a elogiada e inesquecível "O Clone", de 2001. Isso porque Glória soube se reciclar, corrigindo os vários erros observados em tramas como "Caminho das Índias", "América" e a já citada "Salve Jorge". Após abusar do recurso da exploração de culturas estrangeiras, a autora resolveu apostar em um enredo 100% nacional, tendo o Pará (através da fictícia Parazinho) como um dos locais de sua história. Ainda assim, o ambiente esteve presente apenas no primeiro mês, sendo logo 'abandonado' quando todos os personagens de lá se mudaram para o Rio de Janeiro. E foi ótimo não ter 'dancinhas' ou bordões com expressões estrangeiras. Estava bastante repetitivo.

Outra medida adotada com êxito foi a escolha do protagonismo. Em meio ao empoderamento feminino, Glória colocou três mulheres como figuras centrais, intercalando o destaque de cada uma. E escalou três atrizes de peso: Paolla Oliveira, Juliana Paes e Isis Valverde. O trio honrou a confiança da escritora, fazendo de Jeiza, Bibi e Ritinha tipos marcantes, que caíram na boca do povo.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Através de Eurico, conservadorismo foi explorado de forma criativa em "A Força do Querer"

A um dia do seu fim, "A Força do Querer deixará saudades. E um dos muitos pontos positivos da novela de Glória Perez foi a figura de Eurico. A autora se mostrou muito criativa na abordagem do preconceito, machismo e conservadorismo, evitando o tradicional maniqueísmo e expondo a ignorância de uma pessoa íntegra. Humberto Martins se destacou cada vez mais na história e a cena mais aguardada foi ao ar somente no penúltimo capítulo: a descoberta da vida dupla de Nonato (Silvero Pereira).


Após meses achando que seu motorista era um conquistador nato e típico machão, Eurico o viu se apresentando como Elis Miranda em um desfile de moda e entrou em estado de choque. Antes de se dar conta que era Nonato no palco, o empresário chegou a elogiar o talento da artista. Esse momento era um dos mais esperados da trama e é uma pena que Glória tenha deixado apenas para o final, deixando de aproveitar todo o período de entendimento e aceitação daquele homem tão machista.

Afinal, o personagem representou uma união de preconceitos. Nunca entendeu a homossexualidade e sempre recriminou o cabelo longo de Nonato, achando coisa de 'maricas'. Achou um absurdo Ivana (Carol Duarte) ter se descoberto trans, virando Ivan, e nunca tolerou mulher mandando mais que homem. O lado criativo dessa situação foi o fato de Eurico não ser um canalha. Pelo contrário, ele é um homem justo, honesto, atencioso com a esposa e fiel.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Débora Falabella mostrou seu conhecido talento na cena final de Irene em "A Força do Querer"

Após longos meses sem dizer a que veio e sendo uma decepção em se tratando de uma vilã, Irene teve um desfecho digno do talento de Débora Falabella em "A Força do Querer". A personagem prometeu bastante, mas cumpriu pouco durante da novela de Glória Perez. A 171 ficou resumida em planos bobos para atormentar Joyce (Maria Fernanda Cândido). A autora provou que realmente não sabe criar víboras marcantes. Uma pena. Porém, a morte da ex-amante de Eugênio (Dan Stulbach) resultou em uma ótima sequência.


A direção de Rogério Gomes e equipe fez toda diferença, transformando uma queda fatal em um momento aterrorizante. Irene se deparou com Eurico (Humberto Martins) e Silvana (Lília Cabral) no estacionamento de um edifício  e, já entrando em surto, foi atrás do marido da inimiga para provocá-la. A intenção funcionou, despertando a fúria de Silvana, que a estapeou várias vezes. Logo depois, Elvira (Betty Faria), Dantas (Edson Celulari) e Garcia (Othon Bastos) chegaram para surpreender a bandida, já desmascarada por Mira (Maria Clara Spinelli), que entregou todos os podres da ex-aliada.

A mau-caráter, então, se assustou e passou a correr pelo estacionamento, sendo perseguida pelos demais. Porém, Eurico e Silvana tinham dado carona para Yuri (Driko Alves) e seus amigos, todos devidamente caracterizados como personagens de animes, pois voltavam de uma festa Cosplayer. A situação fez a vilã surtar ainda mais, entrando em pânico e transformando aquelas crianças em seres tenebrosos.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Apesar da trama repetitiva, Lilia Cabral brilhou em "A Força do Querer"

Uma das qualidades de "A Força do Querer" é o bom espaço que os núcleos paralelos têm no enredo, sendo funcional também para a trama principal. Glória Prez conseguiu corrigir um erro frequente em seus folhetins, cujos conflitos secundários quase sempre se mostravam aleatórios e desinteressantes. Tanto que uma das situações mais atrativas do atual sucesso das nove da Globo foi o drama de Silvana, vivida pela sempre grandiosa Lília Cabral.


A personagem é uma viciada em jogo e esse conflito cumpre a função de 'merchandising social' (drama com função educativa), sempre presente nas novelas da autora. No caso desse enredo, divide espaço com a questão da transexualidade de Ivana (Carol Duarte). A arquiteta é uma mulher com excelente condição financeira, muito em virtude do seu casamento com o empresário Eurico (Humberto Martins). Apaixonada pelo marido e mãe de uma filha exemplar, a sensata Simone (Juliana Paiva), tinha tudo para ter uma vida perfeita. Mas, a jogatina destrói isso.

O que inicialmente era apenas a diversão de uma ricaça, acabou virando um tormento, implicando em uma sucessão de mentiras cada vez mais absurdas. O público acompanha essa 'saga' da cunhada de Joyce (Maria Fernanda Cândido) desde o início da novela e houve uma grande demora no andamento dessa questão. Várias vezes as situações pecaram pela repetição, embora não tenham chegado a se esgotar por completo em virtude do talento dos atores envolvidos.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Zezé Polessa cresceu merecidamente em "A Força do Querer"

"A Força do Querer" foi uma novela de sucesso e de perfis marcantes também. Glória Perez se mostrou bastante feliz na criação de muitos tipos variados, uns dramáticos e outros cômicos. Apesar de alguns atores terem sido subaproveitados (infelizmente), mesmo com o elenco bastante enxuto, vários ganharam um bom espaço no enredo. E um deles foi a hilária Edinalva, vivida por uma inspirada Zezé Polessa.


A personagem teve destaque logo no começo da novela, pois o enredo de Ritinha (Isis Valverde) era o foco inicial, desencadeando os primeiros conflitos da obra. A mãe da irresponsável e egoísta sereia se destacou nos momentos em que tentava dar um corretivo na filha, que sempre conseguia escapar pelas áreas da fictícia Parazinho. Também crescia quando rivalizava com o ranzinza Seu Abel (Tonico Pereira), protagonizando situações engraçadíssimas. Portanto, era um perfil que parecia promissor.

E realmente foi. O receio de que o papel ficasse perdido na história, deixando Zezé como figurante de luxo, logo foi deixado de lado. À medida que os meses passavam, Edinalva ganhava mais cenas e contextos hilários, destacando a conhecida veia cômica da intérprete.

sábado, 14 de outubro de 2017

Glória Perez faz bela homenagem aos policiais mortos em "A Força do Querer"

O Rio de Janeiro vive um período que pode ser considerado catastrófico. O país todo está em um momento caótico, mas a cidade maravilhosa consegue está pior. E um dos casos mais preocupantes é a violência, culminando ainda na falência das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora, antes vistas como uma esperança). Mais de cem policiais já foram mortos só esse ano e até o final desse texto algum outro terá morrido. Com base nisso, Glória Perez resolveu prestar uma justa homenagem aos policiais mortos no capítulo desse sábado (14/10) de "A Força do Querer".


Na penúltima semana de novela, a autora inseriu um novo personagem na trama que tinha como único objetivo morrer: o PM Gerson (Well Aguiar), amigo de Jeiza (Paolla Oliveira), que acompanhou a vitória da colega em uma luta de MMA. A amizade dos dois era antiga, segundo o roteiro, e a cumplicidade ficou mostrada nos breves momentos deles juntos. No final do capítulo de sexta (13/10), o policial foi assaltado e morto por dois marginais assim que a dupla viu a farda e uma arma no carro da vítima. "É policial", gritou um, implicando no imediato disparo do segundo, matando o rapaz.

Foi uma cena aterrorizante e que todo brasileiro já viu ou presenciou. A realidade disfarçada de ficção. Jeiza ainda matou um bandido, mas o outro escapou. O grito de desespero dela, logo após constatar a morte do amigo, representou a dor de 108 famílias de policiais que sofreram (e sofrem) esse ano. Paolla Oliveira deu um show de emoção e o momento arrepiou o telespectador.